Brasil lidera ranking de multilatinas com Petrobras, JBS e Vale, aponta BID

Relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostra que empresas latino-americanas já operam em 116 países; Brasil concentra 42 grupos com atuação internacional.

Petrobras_Fernando Frazão_agenciabrasil.ebc (1)Petrobras lidera o ranking das 10 maiores multilatinas da América Latina. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Segundo levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Brasil lidera o ranking de empresas latino-americanas com atuação internacional, as chamadas “multilatinas”. O país reúne 42 companhias com operações fora de seu mercado de origem, à frente de México e Chile. Entre os maiores grupos da região estão Petrobras, JBS, Cosan-Raízen e Vale.

Em reportagem publicada pela Bloomberg Línea, o relatório “Multilatinas em Movimento: características, motivações e diretrizes políticas” mapeia 156 empresas listadas em bolsa que expandiram suas operações para outros países. Segundo o estudo, essas companhias já mantêm presença em mais de 116 mercados ao redor do mundo.

A maior parte das multilatinas está concentrada na indústria de manufatura, que representa 26,9% do total analisado. O segmento inclui empresas farmacêuticas, siderúrgicas, metalúrgicas, cimenteiras e fabricantes de autopeças. Na sequência aparecem os setores de alimentos e bebidas (17,3%), energia e mineração (13,5%), serviços (12,2%) e comércio (10,3%).

O BID aponta que a expansão internacional dessas empresas é motivada principalmente pela busca de novos mercados, fortalecimento da presença regional e ganhos de escala. Diversificação de riscos diante de instabilidades macroeconômicas, políticas e regulatórias também aparece entre os fatores relevantes para a internacionalização.

Entre os países da região, o Brasil concentra 26,9% das multilatinas analisadas, seguido por México, com 32 empresas, e Chile, com 30. Argentina aparece na sequência, com 20 grupos internacionais.

Ranking de países com mais multilatinas:

  • Brasil: 42 empresas
  • México: 32
  • Chile: 30
  • Argentina: 20
  • Colômbia: 10
  • Peru: 5
  • Bolívia: 3
  • Paraguai: 3
  • Costa Rica: 2
  • Equador: 2
  • Jamaica: 2
  • Uruguai: 2
  • Barbados: 1
  • Panamá: 1
  • Trinidad e Tobago: 1

Com base no faturamento de 2023, a Petrobras lidera o ranking das maiores multilatinas da região, com receita de US$ 102,4 bilhões. A JBS aparece na segunda posição, com US$ 72,9 bilhões, seguida por Cosan-Raízen, América Móvil e Vale.

As 10 maiores multilatinas da América Latina, segundo o BID:

  1. Petrobras (Brasil) — US$ 102,4 bilhões
  2. JBS (Brasil) — US$ 72,9 bilhões
  3. Cosan-Raízen (Brasil) — US$ 50,7 bilhões
  4. América Móvil (México) — US$ 48,1 bilhões
  5. Vale (Brasil) — US$ 41,7 bilhões
  6. Ecopetrol (Colômbia) — US$ 36,8 bilhões
  7. Marfrig (Brasil) — US$ 28,1 bilhões
  8. Grupo Bimbo (México) — US$ 23,5 bilhões
  9. Empresas Copec (Chile) — US$ 21,3 bilhões
  10. Grupo Techint-Ternium (Argentina) — US$ 17,6 bilhões

O levantamento também mostra que as multilatinas ainda operam em escala inferior às grandes multinacionais globais. Cerca de 45% dessas empresas possuem até 10 mil funcionários, enquanto apenas 13 grupos superam a marca de 50 mil empregados.

Em termos de receita, 49% das empresas analisadas faturam menos de US$ 2 bilhões por ano. Já o Brasil lidera a média de vendas entre os países da região, com empresas registrando aproximadamente US$ 11 bilhões em faturamento médio.

Entre 2013 e 2023, as multilatinas realizaram mais de 320 projetos de investimento greenfield por ano, movimentando, em média, US$ 14 bilhões anuais e gerando cerca de 43 mil empregos por ano.

Segundo o BID, América Latina e Caribe continuam sendo os principais destinos desses investimentos, concentrando metade do capital aplicado pelas empresas da região em 2023. A Ásia-Pacífico aparece na sequência, impulsionada sobretudo por grupos brasileiros, mexicanos e chilenos.

O relatório também destaca que políticas públicas voltadas à estabilidade regulatória, financiamento competitivo e apoio à entrada em novos mercados podem acelerar a expansão internacional das empresas latino-americanas.