Brasil pode superar os EUA e se tornar o maior exportador agrícola do mundo
Diferença entre os países caiu para apenas US$ 2 bilhões em 2025, após o avanço brasileiro em mercados como soja, carnes e algodão.

Brasil e Estados Unidos alcançaram a menor diferença já registrada em exportações agrícolas. (Foto: Unsplash)
O Brasil está próximo de superar os Estados Unidos e assumir a liderança mundial das exportações agrícolas, encerrando uma posição ocupada pelos americanos há mais de um século. Em 2025, os dois países ficaram separados por apenas US$ 2 bilhões, a menor diferença já registrada.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostram que os americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no período, diante dos US$ 169 bilhões alcançados pelo Brasil. Há duas décadas, a vantagem dos Estados Unidos ainda era de dezenas de bilhões de dólares.
Impulsionado pelo avanço da soja, da carne bovina, do frango e do algodão, além da demanda chinesa, o Brasil pode alcançar o primeiro lugar já em 2026, conforme informações publicadas pelo InvestNews. O país já lidera a produção mundial de soja, carne bovina e carne de frango e também ultrapassou os Estados Unidos nas exportações de algodão.
Parte desse crescimento ganhou força após as tarifas impostas pelos Estados Unidos à China a partir de 2018. Pequim reduziu as compras de soja americana e ampliou significativamente as importações brasileiras, consolidando novas relações entre produtores nacionais e compradores chineses. Quando Donald Trump retornou à Casa Branca, em 2025, o Brasil já fornecia a maior parte da soja importada pela China.
A expansão brasileira, no entanto, não depende apenas das mudanças na política comercial americana. Entre as vantagens competitivas do país está a possibilidade de colher duas safras por ano em grande parte do território. Em Mato Grosso, por exemplo, mais da metade das áreas cultivadas recebe uma segunda produção de milho ou algodão depois da colheita da soja.
O Brasil também dispõe de terras relativamente baratas em áreas de expansão agrícola e mais que dobrou a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas nos últimos 13 anos, chegando a 346,1 milhões de toneladas em 2025.
Enquanto o agronegócio brasileiro avança, agricultores americanos enfrentam queda nos preços das commodities, incertezas comerciais e maior dependência de programas governamentais. A Federação Americana de Agricultura estima prejuízos médios de US$ 138 por acre na soja, US$ 167 no milho, US$ 145 no trigo e US$ 406 no algodão.
“Já não somos o fornecedor mundial de soja; somos o fornecedor residual”, afirmou Corey Goodhue, agricultor de Iowa. Na avaliação dele, os compradores recorrem aos Estados Unidos apenas quando o Brasil enfrenta problemas de oferta.
O crescimento nacional ainda esbarra em desafios. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, ficando mais exposto a tensões geopolíticas e oscilações de preços. Os gargalos logísticos também pesam: o frete pode representar até 30% do valor da soja brasileira, ante uma parcela de 10% a 15% nos Estados Unidos.
Apesar dos obstáculos, a demanda chinesa consolidada e a capacidade de ampliar a produção aproximam o Brasil de uma mudança histórica na liderança global das exportações agrícolas.