Carros clássicos aceleram como ativos de luxo e entram no radar de gestora brasileira

Com R$ 2,2 bilhões sob gestão, a Meraki Capital estuda criar um fundo dedicado ao antigomobilismo, mercado bilionário que transforma modelos raros em ativos de investimento.

Luiz Goshima, da Meraki CapitalLuiz Goshima, CEO da Meraki Capital. (Foto: Divulgação)

Muito além da paixão por automóveis, os carros clássicos vêm se consolidando como uma categoria de investimento alternativo entre grandes fortunas ao redor do mundo. Agora, esse mercado começa a ganhar espaço também no Brasil.

A Meraki Capital, gestora que administra R$ 2,2 bilhões em ativos e nasceu para gerir o patrimônio da Fundação Lia Maria Aguiar, avalia lançar um fundo dedicado ao antigomobilismo, inspirado em estruturas já consolidadas nos Estados Unidos e na Europa. A proposta é transformar veículos históricos em uma nova classe de ativos para investidores de longo prazo.

À frente da iniciativa está Luiz Goshima, CEO da Meraki e idealizador do museu Carde, em Campos do Jordão. Colecionador e profundo conhecedor do mercado, ele reúne um acervo de mais de 500 veículos e acredita que a crescente valorização dos clássicos abre espaço para produtos financeiros especializados no país.

O potencial é expressivo. Apenas a RM Sotheby's movimentou US$ 1 bilhão em vendas de carros clássicos em 2025, enquanto o mercado europeu negociou cerca de € 45 bilhões em transações no ano passado. Modelos raros, com procedência comprovada e histórico relevante, vêm sendo tratados por family offices e investidores internacionais como reservas de valor comparáveis a obras de arte — com a vantagem de despertarem interesse global.

Um dos símbolos desse universo está no próprio Carde: um raro Tucker 1948 que pertenceu ao cineasta George Lucas e hoje integra o acervo do museu. Para Goshima, a combinação entre escassez, autenticidade e história faz dos automóveis clássicos um ativo cada vez mais sofisticado dentro do mercado de investimentos alternativos.

Além dessa frente, a Meraki também pretende ampliar sua atuação na gestão patrimonial de fundações e entidades filantrópicas, oferecendo estruturas de investimento customizadas para garantir sustentabilidade financeira de longo prazo.

*Com informações da Bloomberg Línea