Com BarraShopping e Morumbi no foco, Multiplan reforça aposta em ativos de alta performance

Armando d’Almeida Neto explica por que a companhia aposta em ampliações de empreendimentos consolidados como o MorumbiShopping, o BarraShopping e o BH Shopping, priorizando rentabilidade e menor risco.

multiplanEmpresa aposta que os empreendimentos maduros continuam sendo os mais rentáveis do setor. (Foto: Divulgação)

A Multiplan (MULT3) está reforçando sua estratégia de crescimento orgânico com foco em expansões de shoppings já consolidados de seu portfólio, em vez de buscar novas aquisições. A empresa aposta que os empreendimentos maduros continuam sendo os mais rentáveis do setor, mesmo décadas após sua inauguração.

“Fazemos essa conta e vemos que é a melhor oportunidade de alocação de capital. Quando você olha outras aquisições no mercado, os retornos são menores”, afirmou Armando d’Almeida Neto, vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores da Multiplan, em entrevista à Bloomberg Línea.

Segundo o executivo, os shoppings dominantes da companhia mantêm força comercial e fluxo de visitantes estável, o que permite ampliar receita com baixo risco operacional. “Shoppings maduros não envelhecem. Eles continuam gerando valor quando bem administrados e localizados”, disse.

Entre os principais projetos, estão novas fases de expansão do BarraShopping, no Rio de Janeiro, e do BH Shopping, em Belo Horizonte — ambos com mais de 40 anos de operação. O MorumbiShopping, em São Paulo, também está passando por sua sexta expansão, com investimento de R$ 233 milhões e previsão de entrega no primeiro semestre de 2026.

“Quando você tem um shopping que vende, crescer é muito fácil. Expandir, subir, ampliar de um lado para o outro, porque é um shopping que tem um tráfego muito grande”, explicou o CFO, ao reforçar que a prioridade é a rentabilidade. “Você não quer trazer um monte de loja nova só para dizer que cresceu. O nosso negócio é a rentabilidade.”

Os números recentes refletem essa estratégia: no terceiro trimestre, o lucro líquido da Multiplan atingiu R$ 221,1 milhões, superando a projeção média de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 215,7 milhões. Apesar de uma queda de 21% em relação ao ano anterior — atribuída à recompra de R$ 2 bilhões em ações do fundo canadense OTPP —, foi o terceiro trimestre consecutivo em que a companhia superou as expectativas do mercado.

A recompra aumentou a alavancagem financeira para 2,7 vezes o Ebitda, mas também elevou o lucro por ação, que passou de R$ 1,03 para R$ 1,12. “Não nos incomoda em nada ter uma alavancagem desse nível”, disse d’Almeida Neto.

Outro destaque foi a taxa de ocupação de 96,3%, próxima ao pico histórico, e uma inadimplência líquida negativa pelo terceiro trimestre consecutivo — sinal de recuperação de créditos antigos maior que os atrasos atuais. “O lojista está vendendo bem. E quem vende, não quer perder o ponto”, comentou o executivo.

As ações da Multiplan, recompradas a R$ 22,21, acumulam alta de 37% e atualmente são negociadas a cerca de R$ 27,80. “Sem sombra de dúvida valeu a pena. É um benefício direto ao acionista”, afirmou.

D’Almeida Neto afirmou ainda que a empresa pode continuar usando o fluxo de caixa operacional para amortizar dívidas ou vender participações minoritárias, como já fez no JundiaíShopping. No trimestre, a Multiplan emitiu R$ 500 milhões em debêntures a 98% do CDI com prazo de 10 anos, alongando o perfil da dívida a custo menor.

“Normalmente, quando você busca uma extensão de prazo, paga mais caro por isso. Foi o contrário neste caso”, destacou o CFO.