Combustíveis, veículos e máquinas concentram metade das compras corporativas no Brasil

Levantamento da Qive mostra que gastos empresariais seguem fortemente ligados à logística, mobilidade e infraestrutura operacional; varejo lidera volume de compras.

motivaLogística é destaque nos gastos das empresas brasileiras. (Foto: Divulgação)

Metade das compras realizadas entre empresas no Brasil em 2025 ficou concentrada em apenas seis categorias de produtos, com destaque para combustíveis, veículos e máquinas. Segundo levantamento da Qive publicado pelo InfoMoney, os dados reforçam o peso da logística, da mobilidade e da infraestrutura operacional nos gastos do setor corporativo brasileiro.

O estudo analisou 183,1 milhões de notas fiscais emitidas ao longo do ano, somando R$ 1,6 trilhão em transações entre 2,67 milhões de CNPJs. Os dados fazem parte de um capítulo adicional do Panorama do Contas a Pagar, elaborado pela empresa.

Combustíveis e derivados de petróleo lideraram os gastos corporativos, com R$ 233,8 bilhões movimentados. Na sequência aparecem veículos e autopeças, com R$ 201,2 bilhões, além de máquinas e equipamentos mecânicos, que somaram R$ 105,6 bilhões.

Também figuram entre as categorias mais relevantes máquinas e materiais elétricos, produtos farmacêuticos e bebidas. Juntas, as seis categorias representaram pouco mais de 50% de todas as compras corporativas registradas no período.

Segundo Vitor de Araujo, cofundador e head de AI Lab da Qive, o perfil das despesas evidencia a dependência da economia brasileira em relação à operação logística e à capacidade produtiva. Em entrevista ao InfoMoney, o executivo afirmou que eficiência operacional e gestão financeira se tornam fatores estratégicos para o crescimento das empresas.

Além do volume financeiro, o levantamento avaliou a recorrência das compras nas notas fiscais emitidas. Produtos farmacêuticos lideraram em frequência, com 23,34 milhões de documentos registrados em 2025. Veículos apareceram em 12,77 milhões de notas fiscais, enquanto máquinas mecânicas somaram 12,12 milhões.

O varejo respondeu pela maior fatia das compras corporativas no país, com R$ 766,16 bilhões movimentados, equivalente a 47,7% do total analisado. A indústria aparece em seguida, com R$ 524,42 bilhões, ou 32,6% do volume financeiro.

Segundo o estudo, o varejo mantém um padrão de compras em larga escala para garantir abastecimento e sortimento, enquanto setores como energia concentram despesas em uma cesta mais enxuta, principalmente ligada a combustíveis. Já o agronegócio apresenta maior diversificação de compras, incluindo adubos, produtos químicos e derivados de petróleo.

A análise também aponta impactos potenciais da Reforma Tributária sobre essa dinâmica. Entre 2023 e 2025, R$ 4,07 trilhões em pagamentos corporativos foram realizados a prazo, equivalente a 76,8% dos documentos emitidos no período.

De acordo com a Qive, a implementação do novo modelo tributário baseado em IBS e CBS tende a ampliar a necessidade de controle sobre fornecedores, créditos fiscais e documentos financeiros, especialmente com mecanismos como o split payment.

“Entender o comportamento de compra das corporações deixa de ser apenas análise financeira e vira ferramenta estratégica de decisão”, afirmou Vitor de Araujo ao InfoMoney.