Cora entra em maquininhas e mira mercado de R$ 4,5 trilhões no Brasil
Fintech apoiada por fundos como Greenoaks, Tiger Global e Ribbit Capital aposta em taxas mais baixas para disputar adquirência e expandir receitas com crédito e pagamentos.
Igor Senra, cofundador e CEO da fintech. (Foto: Divulgação)
A fintech brasileira Cora decidiu ampliar sua atuação além das contas digitais para pequenas e médias empresas e entrar no disputado mercado de adquirência, segmento das maquininhas e soluções de pagamento que movimentou R$ 4,5 trilhões no Brasil em 2025. Segundo reportagem publicada pela Bloomberg Línea, a empresa prepara o lançamento de soluções de maquininhas de cartão e tecnologia Tap to Phone, que transforma celulares em terminais de pagamento.
A estratégia busca explorar a alta sensibilidade de micro e pequenos empreendedores às taxas cobradas pelas adquirentes. “Esse produto sozinho vai ser maior do que toda a Cora em dois ou três anos”, afirmou Igor Senra, cofundador e CEO da fintech, à Bloomberg Línea.
A Cora aposta em uma operação enxuta para competir com empresas como PagBank, Mercado Pago, Stone, InfinitePay e SumUp. Segundo Senra, o custo operacional da fintech seria equivalente a cerca de 10% do registrado pelas grandes instituições financeiras, o que abriria espaço para oferecer taxas mais competitivas mantendo rentabilidade.
Atualmente, a nova vertical opera em fase beta e oferece apenas links de pagamento, mas a expectativa é ampliar o portfólio gradualmente. A companhia afirma que a estrutura foi construída a partir da experiência acumulada em crédito e serviços bancários.
Criada em 2019, a Cora soma mais de 1,7 milhão de clientes e encerrou o primeiro trimestre de 2026 com cerca de R$ 50 bilhões em pagamentos transacionados. A receita cresceu aproximadamente 50% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo a Bloomberg Línea, a fintech alcançou o breakeven após um processo de verticalização iniciado em 2023, quando passou a operar diretamente infraestrutura de Pix e boletos. Hoje, a empresa afirma utilizar modelos próprios de inteligência artificial em todas as transações para análise de risco, prevenção à lavagem de dinheiro e combate a fraudes. Cerca de 85% do atendimento ao cliente também já é automatizado por IA.
A companhia conta entre seus investidores com fundos como Greenoaks Capital, Tiger Global, Ribbit Capital, Tencent e Kaszek Ventures. A última rodada ocorreu em 2021, quando levantou US$ 116 milhões em uma Série B liderada pela Greenoaks.
Além da adquirência, a fintech vê espaço para ampliar a unidade de crédito. Segundo Senra, a meta é triplicar a receita média por usuário com produtos como capital de giro e antecipação de recebíveis. A empresa afirma que pretende manter os projetos de expansão de forma orgânica e, no momento, não avalia novas captações.