Embraer pode enfrentar atrasos e cancelamentos de pedidos por tarifas, diz CEO
CEO da fabricante estima impacto de US$ 80 milhões em 2025 e avalia investir em linha de montagem nos EUA para contornar barreiras comerciais.
Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer. (Foto: Divulgação)
A Embraer alertou que poderá enfrentar atrasos e cancelamentos de pedidos caso as tarifas punitivas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros sejam implementadas, disse o CEO Francisco Gomes Neto em entrevista à Bloomberg Television, neste domingo (26), durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na Malásia.
Segundo o executivo, as aeronaves e suas peças foram inicialmente isentas das taxas mais altas anunciadas pelo governo de Donald Trump, mas os impactos podem surgir no médio prazo.
“Não temos nenhum problema de cancelamento neste momento, mas no médio prazo, isso pode acontecer”, afirmou Gomes Neto. “Isso seria ruim também para a indústria dos EUA, porque, se fabricarmos menos aeronaves, compraremos menos equipamentos americanos. É por isso que a tarifa zero é importante.”
O CEO estimou que a medida poderia elevar o preço das aeronaves em até US$ 2 milhões cada. A Embraer ainda enfrenta um impacto tarifário estimado em US$ 80 milhões neste ano, valor próximo ao lucro líquido reportado no segundo trimestre.
A fabricante mantém uma carteira de pedidos de US$ 31 bilhões, o maior volume em nove anos, mas o cenário tarifário pressiona a margem de crescimento da empresa.
O governo brasileiro ainda busca uma solução diplomática com Washington. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Donald Trump neste domingo, também na Malásia, para discutir alternativas de redução das tarifas.
Entre as medidas avaliadas para mitigar os efeitos, a Embraer considera investir US$ 500 milhões em uma nova linha de montagem nos Estados Unidos, o que poderia criar 2.500 empregos caso o avião militar KC-390 seja selecionado pelo governo americano. Outros US$ 500 milhões estão previstos para expansão de fábricas nos próximos cinco anos.
“Temos um plano robusto para o próximo ano, com foco em crescimento sustentável e diversificação da base produtiva”, disse Gomes Neto à Bloomberg.