Empresas familiares aceleram crescimento e avançam na profissionalização

Estudo da Deloitte aponta que grupos familiares crescem acima das demais empresas, apostam em governança, tecnologia e parcerias para sustentar expansão até 2030.

Paulo de Tarso, sócio-líder do Deloitte Private Program (2)Paulo de Tarso, sócio-líder do Deloitte Private Program. (Foto: Divulgação)

Empresas familiares vêm ampliando participação na economia e registrando crescimento superior ao de companhias não familiares, segundo o estudo “Defining the Family Business”, da Deloitte, divulgado pela Bloomberg. A projeção indica que a receita desses grupos deve crescer 84% até 2030, ritmo acima dos 59% estimados para empresas sem controle familiar.

O levantamento ouviu 1.587 empresas familiares no mundo, sendo 101 no Brasil, entre março e junho de 2025. As companhias analisadas têm receita média anual de US$ 2,8 bilhões. O estudo também incluiu entrevistas com 30 executivos de grupos familiares globais.

De acordo com Paulo de Tarso, sócio-líder do Deloitte Private Program, o desempenho está ligado à maior profissionalização, ao entendimento mais profundo de mercado e à busca por eficiência operacional. Segundo ele, há avanços em treinamento de executivos, desenvolvimento de produtos e otimização da cadeia de suprimentos.

Globalmente, empresas familiares representam cerca de 22% das companhias com receita acima de US$ 100 milhões. Além do crescimento de faturamento, o número desses negócios deve avançar 22% até o fim da década.

Apesar das perspectivas positivas, o estudo aponta que incertezas econômicas e geopolíticas são vistas como o principal risco externo, tanto no cenário global quanto no brasileiro. Questões como aumento de tarifas, ameaças cibernéticas, custo de matérias-primas e avanço tecnológico aparecem entre os principais desafios.

No Brasil, onde cerca de 90% das empresas têm origem familiar e respondem por 65% do PIB, a sucessão segue como um ponto crítico. O relatório mostra que o planejamento sucessório se tornou mais frequente, mas ainda concentra riscos relevantes para a continuidade dos negócios.

A governança corporativa surge como eixo central para geração de valor. Segundo Tarso, embora haja custo adicional para fortalecer estruturas de governança, parte relevante das empresas já percebe retorno sobre esse investimento.

O estudo indica ainda que a abertura de capital está no radar de 14% das empresas familiares brasileiras, enquanto 37% planejam atrair investidores externos ou fundos de private equity nos próximos três a cinco anos. Parcerias estratégicas e joint ventures já são utilizadas por 52% dessas companhias no país.

Tecnologia também aparece como vetor de crescimento. No Brasil, 43% das empresas familiares apontam investimentos em tecnologia, incluindo inteligência artificial, como estratégia para eficiência e redução de custos, além de fortalecimento de marca e posicionamento estratégico.