Fiat aposta em carros de entrada e mira capacidade máxima em Betim

Montadora reforçará categorias de maior volume para manter a liderança no Brasil e prevê lançar um modelo totalmente novo por ano até 2030.

Stellantis-Herlander-ZollaHerlander Zola, CEO da Stellantis para a América do Sul. (Foto: Divulgação)

A Fiat pretende reforçar a oferta de carros de entrada e picapes para preservar a liderança de vendas no Brasil, enquanto amplia a produção no complexo industrial de Betim, em Minas Gerais. A meta é levar a maior fábrica da montadora no país à capacidade máxima de 650 mil veículos por ano.

“Nunca deixamos de olhar para o segmento de entrada e isso está muito claro em nosso portfólio. Essa ainda é uma fatia relevante do mercado brasileiro e nós não queremos perder espaço”, afirmou Herlander Zola, CEO da Stellantis para a América do Sul, em entrevista à Bloomberg Línea.

Mobi, Argo, Cronos e Pulse compõem a oferta da Fiat nas categorias mais acessíveis. “São modelos que se adaptam muito bem a um certo nível de acessibilidade no mercado brasileiro”, disse o executivo. A montadora também continuará investindo em SUVs e picapes.

“A cobertura que a Fiat tem é algo único no mercado. Sob o ponto de vista da oferta, é um dos grandes trunfos da nossa marca”, declarou Zola.

Entre as picapes, o principal destaque é a Strada, veículo mais vendido do Brasil há cinco anos. Metade das vendas do modelo corresponde a versões destinadas ao trabalho, enquanto a outra parcela reúne opções de passeio, incluindo configurações com cabine dupla e quatro portas.

“São versões mais caras e que, ainda assim, têm um nível de aceitação muito grande. Isso exemplifica bem que a Fiat tem soluções para qualquer tipo de necessidade”, afirmou.

Produção em Betim

A fábrica de Betim já retomou o terceiro turno, embora a Stellantis não tenha estabelecido uma data para atingir a capacidade máxima. “Estamos expandindo a nossa capacidade produtiva para ter novamente um terceiro turno, a dinâmica [do mercado] possibilita isso”, disse Zola.

Em 50 anos, o complexo mineiro produziu mais de 18 milhões de veículos. O primeiro foi o Fiat 147. Atualmente, a unidade emprega 19 mil pessoas e mantém mais de 400 fornecedores diretos em um raio de 100 quilômetros, cadeia produtiva que reúne quase 200 mil trabalhadores.

A planta será responsável pela fabricação do Novo Argo X, próximo modelo da marca. “Até 2030, teremos um carro totalmente novo lançado por ano no mercado”, afirmou o CEO.

Diante do avanço das marcas chinesas no segmento de eletrificados, Zola também disse que a companhia poderá adaptar sua produção à evolução da demanda. “Se houver a necessidade de [produzir] um veículo 100% elétrico, a Fiat vai ter”, declarou.