General Atlantic aposta no Brasil e prepara mais de US$ 500 milhões em investimentos
Gestora vê ambiente mais saudável após correção de mercado e oportunidades tanto no private equity quanto no venture capital.
Rodrigo Catunda, managing director e co-head da General Atlantic. (Foto: Divulgação)
A General Atlantic planeja investir mais de US$ 500 milhões no Brasil em 2026, ampliando o volume de aportes realizados no país nos últimos anos. Para Rodrigo Catunda, managing director e co-head da gestora no Brasil, o cenário atual representa uma das melhores janelas de entrada para investidores de longo prazo da última década, segundo afirmou em entrevista à Bloomberg Línea.
Na avaliação do executivo, a correção de preços observada após o período de euforia da pandemia trouxe um ambiente mais saudável para o mercado privado, com valuations mais realistas e menor competição entre fundos. “É um dos melhores pontos de entrada que já vimos nos últimos cinco ou dez anos, especialmente para quem olha o longo prazo”, disse Catunda à Bloomberg Línea.
A gestora americana, que administra cerca de US$ 118 bilhões globalmente, investe no Brasil desde os anos 1990 e vê o país como uma de suas regiões mais rentáveis ao longo dos últimos 15 anos, mesmo considerando a volatilidade macroeconômica e cambial. Em 2025, as empresas do portfólio brasileiro da General Atlantic cresceram, em média, 25%, com margens Ebitda acima de 15%, segundo o executivo.
O plano para 2026 prevê uma divisão mais equilibrada entre novos investimentos e aportes adicionais em empresas já investidas. “Se tivesse que estimar, seria algo próximo de US$ 250 milhões para cada frente”, afirmou Catunda.
Entre os fatores que sustentam o otimismo estão a maturidade de uma nova geração de empreendedores, muitos deles oriundos de companhias como XP e Stone, além do avanço da inteligência artificial como vetor de criação de novos negócios. Hoje, a General Atlantic concentra seus investimentos no Brasil principalmente em serviços financeiros, tecnologia, educação e saúde, áreas que respondem por cerca de 90% dos aportes no país.
Apesar da melhora operacional das empresas investidas, Catunda reconhece que a falta de liquidez segue como um desafio, diante do fechamento prolongado do mercado de IPOs no Brasil. Ainda assim, ele vê sinais de reabertura no horizonte, acompanhando a retomada das ofertas nos Estados Unidos, o que pode destravar saídas a partir do segundo semestre de 2026 ou início de 2027.
O portfólio atual da gestora no Brasil inclui companhias como Hotmart, Unico, Neon, Arco Educação, QuintoAndar e Wellhub. Segundo Catunda, nenhuma delas está em processo imediato de abertura de capital, mas todas vêm sendo preparadas para aproveitar uma eventual janela de mercado quando ela se abrir.