IA vai gerar mais negócios que desemprego, diz CEO da IWG

Para Mark Dixon, tecnologia deve impulsionar criação de startups e ampliar demanda por espaços flexíveis.

C4LCII3S6FEXFNRKGZMHNNQOTQ
Mark Dixon, fundador e CEO da International Workplace Group (IWG). (Foto: Divulgação)

A inteligência artificial deve gerar mais oportunidades de negócios do que desemprego, na avaliação de Mark Dixon, fundador e CEO da International Workplace Group (IWG), dona das marcas Regus e Spaces. As informações são da Bloomberg.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo afirmou que a IA está reorganizando o mercado de trabalho ao mesmo tempo em que reduz estruturas corporativas tradicionais e acelera a criação de novos negócios.

“Antes levava um, dois, três anos para montar um negócio. Agora leva três meses. É muito mais fácil e mais eficiente”, disse Dixon. Segundo ele, apesar de possíveis cortes de empregos, a tendência é de crescimento no número de startups, o que deve compensar o impacto no mercado de trabalho.

A IWG vive um momento de expansão. Em 2025, a companhia assinou contratos para 1.132 novos centros e inaugurou 782 unidades — volumes superiores aos registrados em seus primeiros 20 anos de operação. Ao fim do ano, a empresa somava 4.609 unidades em 120 países, com receita de US$ 4,5 bilhões, alta de 4% na comparação anual.

A empresa tem como um de seus principais concorrentes globais a WeWork e aposta no crescimento da demanda por escritórios flexíveis. De acordo com projeções da própria IWG, esse mercado pode avançar até 600% até 2030, diante de um universo potencial de 1,2 bilhão de trabalhadores de colarinho branco e um mercado endereçável superior a US$ 2 trilhões.

Para Dixon, a IA não é apenas uma ferramenta de eficiência, mas um catalisador de transformação estrutural, comparável ao computador pessoal, à internet e ao smartphone. A tecnologia também deve mudar a forma de gestão no trabalho remoto, com foco em dados de produtividade em tempo real.

No Brasil, a IWG vê espaço relevante para crescimento. Em 2025, foram assinados contratos para 40 novos centros no país, que hoje conta com 114 unidades sob marcas como Regus, Spaces, HQ e OpenOffice. A empresa pretende ampliar sua presença para além dos grandes centros, com expansão para cidades secundárias e terciárias.

A estratégia de crescimento está baseada em um modelo “capital-light”, com 95% das novas unidades operadas por meio de parcerias, reduzindo a necessidade de investimento próprio. Segundo Dixon, o objetivo é criar uma rede nacional de espaços de trabalho flexíveis nos próximos anos.