Kering vende divisão de beleza à L’Oréal por € 4 bi e acelera reestruturação do grupo

Negócio inclui a House of Creed e reforça nova fase da Kering sob o comando de Luca De Meo, com foco em eficiência e desalavancagem financeira.

Gucci_Reprodução_InstagramAcordo marca a estratégia de reposicionar o grupo francês de luxo. (Foto: Reprodução/Instagram)

A Kering, controladora da Gucci, fechou acordo para vender sua divisão de beleza à L’Oréal por € 4 bilhões, marcando uma das primeiras grandes decisões estratégicas do novo CEO Luca De Meo, em meio ao esforço para reposicionar o grupo francês de luxo, segundo a Bloomberg.

O negócio inclui a House of Creed, fabricante de perfumes adquirida pela Kering há dois anos, e prevê que as duas companhias passem a desenvolver e distribuir produtos de beleza e fragrâncias das marcas Gucci, Bottega Veneta e Balenciaga. A Kering também receberá royalties da L’Oréal após o fechamento da transação, previsto para o primeiro semestre de 2026.

A venda encerra o plano anterior da Kering de expandir de forma independente sua atuação no segmento de beleza e cosméticos, setor em que rivais como Hermès e LVMH vêm apresentando desempenho consistente. Analistas do Citi avaliaram positivamente a transação. “Apreciamos o poder de fogo da L’Oréal no crescimento das licenças de produtos de beleza”, afirmou Thomas Chauvet.

As ações da Kering subiram 5,5% após o anúncio e acumulam alta de 87% desde a nomeação de De Meo, em junho. O movimento reflete a confiança do mercado no novo comando, que vem priorizando redução de dívida e eficiência operacional. No fim de 2024, a dívida líquida do grupo era de € 10,5 bilhões, alta de 24% em relação ao ano anterior.

A L’Oréal, maior grupo global de cosméticos, ampliará sua presença no segmento de luxo com a compra, obtendo licenças de 50 anos para as marcas da Kering. A autorização para a marca Gucci será válida após o término do contrato atual com a Coty.

Para analistas do RBC Capital Markets, o acordo marca uma “mudança significativa de estratégia” para a Kering, agora mais voltada a modelos de licenciamento, menos intensivos em capital e com margens mais altas.