Mais Mu e Plamev Pet estreiam novo regime da CVM para pequenas empresas
Primeiras companhias registradas no Regime Fácil poderão acessar o mercado de capitais com custos reduzidos e captar até R$ 300 milhões por ano.
A Fabricante de suplementos e snacks Mais Mu foi uma das empresas a obter registro no Regime Fácil. (Foto: Divulgação)
Duas pequenas empresas brasileiras se tornaram as primeiras a obter registro no Regime Fácil, novo marco regulatório criado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ampliar o acesso de companhias de menor porte ao mercado de capitais. A fabricante de suplementos e snacks Mais Mu e a operadora de planos de saúde veterinários Plamev Pet conquistaram o registro na Categoria A, que permite a emissão tanto de ações quanto de títulos de dívida.
Em reportagem publicada pela Bloomberg Línea, a iniciativa é apontada como um passo relevante para ampliar as opções de financiamento de empresas que possuem faturamento expressivo, mas ainda estão distantes do porte exigido para acessar a bolsa tradicional.
As duas companhias integram a base de empresas listadas na BEE4, plataforma voltada para negócios emergentes. Atualmente, a estrutura reúne quatro empresas: Mais Mu, Plamev Pet, Engravida e Eletron Energia.
Fundada em 2014, a Mais Mu atua no mercado de alimentos funcionais e possui mais de 60 produtos em seu portfólio, entre itens proteicos, de baixo teor de açúcar e plant-based. Segundo a BEE4, a companhia registrou faturamento de R$ 111,1 milhões em 2025.
Já a Plamev Pet, criada em 2013 em Minas Gerais, opera no segmento de saúde preventiva para cães e gatos. A empresa se apresenta como a maior operadora independente de planos de saúde veterinários do país, em um setor que movimentou R$ 75,4 bilhões em 2024, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).
Os registros marcam também a consolidação de um processo iniciado ainda durante o período de sandbox regulatório da CVM, ambiente experimental criado para testar modelos inovadores de mercado sob regras simplificadas.
Em vigor desde março deste ano, o Regime Fácil foi desenvolvido para empresas com faturamento anual de até R$ 500 milhões. Pelo modelo, as companhias podem captar até R$ 300 milhões por ano no mercado de capitais. A expectativa é reduzir significativamente os custos de abertura de capital, que podem cair de cerca de R$ 10 milhões no mercado tradicional para valores entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.
Para viabilizar a operação, a BEE4 lançou diferentes modalidades de acesso ao mercado, permitindo desde emissões de dívida até ofertas de ações com diferentes níveis de exigência regulatória.
O avanço do modelo também chamou a atenção de investidores institucionais. Em abril, a plataforma recebeu investimento da International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos privados do Grupo Banco Mundial.
Segundo dados citados pela Bloomberg Línea, atualmente apenas cerca de 700 empresas brasileiras possuem registro de companhia aberta na CVM. Com o novo regime, empresas de menor porte passam a contar com uma alternativa estruturada para captar recursos, diversificar fontes de financiamento e reduzir a dependência do crédito bancário.