MSC e Maersk estudam fim de sociedade na BTP de olho no Tecon 10
Companhias notificaram o Cade sobre uma potencial transação, mas definição sobre compra ou venda das participações dependerá do resultado do leilão.
Maersk e MSC notificaram o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre uma potencial transação que poderá encerrar a sociedade entre as companhias na Brasil Terminal Portuário (BTP), responsável pela operação do segundo maior terminal do Porto de Santos.
A movimentação está relacionada às regras para a participação no leilão do Tecon Santos 10, o maior da história portuária brasileira, conforme informou o InvestNews. Apesar da notificação, ainda não está definido qual das partes deixará a BTP.
A APM Terminals, subsidiária da Maersk e detentora de 50% da BTP, poderá adquirir a participação restante e assumir integralmente a operação ou vender sua própria fatia. A decisão dependerá do resultado do leilão.
“A depender do resultado do leilão do Tecon Santos 10, a APM Terminals poderá atuar como compradora, adquirindo os 50% restantes da BTP, ou como vendedora, alienando sua própria participação de 50%. A definição de qual papel a APM Terminals assumirá está, portanto, condicionada ao resultado do leilão, não estando definida neste momento”, afirmou a empresa.
As diretrizes do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), vinculado à Casa Civil da Presidência da República, permitem que operadores com atividades relacionadas à movimentação de contêineres no Porto de Santos participem do certame como não incumbentes. Para isso, devem comprovar, antes da abertura do edital, um compromisso de venda da participação mantida em outro terminal no porto, condicionado à vitória no leilão.
A operação envolvendo a BTP também precisará receber o aval das autoridades competentes antes de ser concluída.
Maior leilão portuário do Brasil
O Tecon 10 terá capacidade para movimentar até 3 milhões de TEUs por ano — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. O volume corresponde ao dobro da capacidade atual da BTP.
A concessão terá duração de 25 anos, com previsão de R$ 6,4 bilhões em investimentos ao longo do contrato. A chinesa Cosco e a JBS Terminais, braço portuário do grupo J&F, já sinalizaram interesse no ativo.
A BTP opera um terminal multiuso na região da Alemoa, na margem direita do Porto de Santos, destinado à movimentação de contêineres e granéis líquidos. Em 2025, a empresa faturou R$ 2,1 bilhões e respondeu por 31% dos contêineres movimentados no porto, atrás apenas da Santos Brasil, controlada pela francesa CMA CGM.
MSC e Maersk estão entre as maiores armadoras do mundo e, juntas, respondem por cerca de um terço da capacidade global de navios porta-contêineres. Nos últimos anos, as duas companhias também avançaram sobre a operação de terminais portuários, estratégia que amplia o controle sobre custos e a prioridade de atendimento aos seus navios.