Nubank ultrapassa Petrobras e se torna a empresa mais valiosa do Brasil

Banco digital cresce mais de 50% em 2025, atinge US$ 77 bilhões em valor de mercado e consolida sua posição logo atrás do Mercado Livre.

nubnkBanco digital cresce mais de 50% em 2025, atinge US$ 77 bilhões em valor de mercado e consolida sua posição logo atrás do Mercado Livre. (Foto: Divulgação)

O Nubank alcançou um marco histórico ao superar a Petrobras e se tornar a empresa mais valiosa do Brasil, consolidando-se como a segunda maior da América Latina em valor de mercado — atrás apenas do Mercado Livre. Listado na Bolsa de Nova York desde dezembro de 2021, o banco digital, comandado por David Vélez e Cristina Junqueira, atingiu US$ 77,3 bilhões em capitalização após uma valorização superior a 50% neste ano.

A ascensão do Nubank coincide com o pedido formal para operar como banco nos Estados Unidos — um passo estratégico que pode levar anos para se concretizar, mas que já reflete nas expectativas do mercado. Desde o anúncio, as ações subiram mais de 5%, encerrando o dia 27 de outubro a US$ 16 por papel, enquanto os papéis da Petrobras recuaram cerca de 20% em meio à queda do petróleo.

No segundo trimestre de 2025, o Nubank registrou 122,7 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, com uma taxa de atividade de 83%. O lucro líquido trimestral foi de US$ 637 milhões, e o retorno sobre o patrimônio líquido ajustado alcançou 31%. Sua carteira de empréstimos chegou a US$ 27,3 bilhões, e os depósitos somaram US$ 36,6 bilhões.

A lista das 10 empresas mais valiosas da América Latina, segundo dados da Bloomberg, ficou assim:

Mercado Livre (US$ 115,7 bi)

Nubank (US$ 77,3 bi)

Petrobras (US$ 74,7 bi)

Itaú Unibanco (US$ 72,8 bi)

América Móvil (US$ 68,8 bi)

Grupo México (US$ 65,7 bi)

Walmart do México (US$ 57,9 bi)

Vale (US$ 52 bi)

BTG Pactual (US$ 42,4 bi)

Ambev (US$ 35,6 bi)

O banco digital mantém mais de 60% de penetração entre os adultos no Brasil, além de 12 milhões de clientes no México e 1,4 milhão de cartões ativos na Colômbia. Segundo Vélez, a futura operação nos EUA “ajudará a atender melhor os atuais clientes e a conectar-se com novos públicos que enfrentam desafios financeiros semelhantes”.

Para o JPMorgan, o movimento é promissor, ainda que de impacto gradual. O banco destaca o ambiente competitivo norte-americano e os custos mais altos de aquisição de clientes, mas vê expansão significativa no longo prazo.

No mercado, 71,4% dos analistas recomendam compra das ações do Nubank, enquanto 23,8% sugerem manter e apenas 4,8% aconselham venda. O preço-alvo médio para 12 meses é US$ 16,66, representando um potencial de valorização de 4,1%.

O Bradesco BBI prevê lucro líquido de US$ 728 milhões no terceiro trimestre, alta de 14,3% ante o período anterior, com destaque para a expansão da margem de juros e o crescimento da carteira de crédito. Já o Citi ressalta a qualidade sólida da carteira e o avanço consistente do plano de expansão.

Analistas do JPMorgan reforçam que o principal desafio do Nubank será provar a escalabilidade do modelo mexicano e manter o ritmo de resultados antes de entrar com força no mercado americano. Caso bem-sucedida, a empreitada poderá ampliar de forma expressiva o mercado-alvo e os ganhos futuros da fintech brasileira.

*Com informações da Bloomberg Línea