Petróleo assume protagonismo nas exportações brasileiras após desaceleração do agro
Com base de comparação elevada após recordes em 2025, agronegócio perde força relativa no PIB de 2026 enquanto petróleo e consumo das famílias sustentam crescimento da economia.
Indústria extrativa, puxada principalmente pelo petróleo, tende a assumir o papel de principal motor externo do Produto Interno Bruto (PIB). (Foto: Divulgação)
Após impulsionar o crescimento da economia brasileira em 2025 com resultados históricos, o agronegócio deve perder protagonismo relativo nas exportações ao longo de 2026. Segundo análise publicada pelo InfoMoney, a indústria extrativa, puxada principalmente pelo petróleo, tende a assumir o papel de principal motor externo do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
Economistas ouvidos pela reportagem avaliam que o movimento não representa uma retração estrutural do agro, mas uma acomodação natural após a forte expansão registrada no ano passado. Em 2025, o PIB do agronegócio avançou 12,2%, criando uma base de comparação elevada para este ano.
As projeções para 2026 apontam crescimento mais moderado do setor, variando entre 1% e 3,9%, segundo estimativas de instituições financeiras e consultorias. Ainda assim, o agronegócio segue contribuindo positivamente para a atividade econômica, especialmente com a safra de soja no primeiro trimestre.
Para analistas, o principal desafio do campo atualmente não está no volume produzido, mas na rentabilidade. O setor enfrenta pressão do endividamento, da queda internacional dos preços das commodities e do aumento dos custos de produção.
Enquanto isso, o petróleo ganha espaço na balança comercial brasileira. Segundo economistas ouvidos pelo InfoMoney, o cenário geopolítico internacional, especialmente os impactos do conflito no Oriente Médio, favoreceu as exportações brasileiras da commodity.
O petróleo já teria superado a soja como principal item da pauta exportadora do país, reforçando o peso da indústria extrativa na economia nacional em 2026.
Além do impulso externo vindo da exportação de petróleo, o consumo das famílias deve seguir como principal sustentação doméstica do PIB. O mercado de trabalho aquecido, o aumento da renda nominal, a expansão do crédito e estímulos fiscais aparecem entre os fatores que mantêm a demanda interna resiliente.
Entre os estímulos mencionados por economistas estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil e os níveis historicamente baixos de desemprego, estimados entre 5% e 5,6%.
Segundo a análise, o crescimento econômico neste início de ano apresenta perfil mais disseminado entre diferentes setores, embora a indústria ainda dependa fortemente da extração de petróleo e do desempenho da cadeia automotiva para avançar.