Revo antecipa investimentos no Brasil e amplia frota diante da alta na demanda por voos de helicóptero

Empresa acelera aportes em frota, infraestrutura e pessoal e se prepara para operar eVTOLs da Eve, da Embraer a partir de 2027.

 

 

 

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Empresa afirma que o crescimento do segmento está ligado à expansão da aviação executiva urbana e à inclusão dos voos da Revo em programas de cartões premium. (Foto: Divulgação)

A Revo, operadora de voos de helicópteros com modelo de reserva de assentos, está antecipando investimentos em frota, equipe e infraestrutura para acompanhar o aumento expressivo da demanda por mobilidade aérea urbana em São Paulo, disse o CEO John Welsh em entrevista à Bloomberg Línea.

Controlada pelo grupo português Omni Helicopters International (OHI), a empresa opera atualmente três helicópteros bimotores e planeja expandir para cinco aeronaves em 2026, após registrar crescimento de cerca de 10% na procura pelos serviços neste ano.

A principal rota — entre a região da Faria Lima e o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em cerca de 10 minutos — teve a tarifa reajustada de R$ 2.500 para R$ 2.750. O mesmo trajeto, por carro, pode ultrapassar duas horas em horários de pico.

“Tem havido um aumento na demanda, e nós vamos ajustando o valor cobrado com base nisso”, explicou Welsh.

Segundo o executivo, o crescimento do segmento está ligado à expansão da aviação executiva urbana e à inclusão dos voos da Revo em programas de cartões premium, como o do Bradesco, que oferece assentos exclusivos a seus clientes de alta renda.

A frota atual inclui um Airbus H135 de cinco lugares e dois Airbus H155 de oito lugares. As novas aeronaves ainda não tiveram modelo divulgado.

Além da ampliação da operação com helicópteros, a empresa também se prepara para a chegada dos eVTOLs (aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical), com início de entrega previsto para o fim de 2027, fruto de um contrato de até US$ 250 milhões com a Eve, da Embraer, assinado durante o Paris Air Show.

“Hoje a Revo quase que tem dois departamentos: um para continuar a operação com helicópteros e outro para lançar os voos com a nova tecnologia”, afirmou Welsh. “Não é um papel, não é um sonho — trata-se de um projeto que já arrancou e se prepara para entrar em operação.”

O CEO destacou ainda a importância do suporte técnico da Embraer. “A Eve é hoje a única fabricante do segmento com um programa de asas — um sistema completo de manutenção e assistência —, e isso faz toda a diferença.”

A operação com eVTOLs deve reduzir custos em até 30% no médio prazo, abrindo espaço para novas classes de serviço, segundo o executivo.

Com foco inicial em São Paulo, a Revo opera em helipontos estratégicos como o International Plaza II, o Pátio Victor Malzoni (que abriga sedes do BTG Pactual e Google Brasil), o B32 e o Continental Tower, no complexo Cidade Jardim.

A companhia também avalia expandir para a região da Avenida Paulista e rotas para o interior, incluindo o Catarina Airport (em São Roque) e a Fazenda Boa Vista (em Porto Feliz), destino frequente do público de alta renda.

“A tendência é continuar assim, pois nós estamos vendo uma forte demanda. E estamos preparados para resolver o problema da mobilidade em um mercado saturado”, afirmou Welsh à Bloomberg Línea.