Setor privado deve liderar agenda de desenvolvimento do Brasil, diz CEO da JBS
Gilberto Tomazoni defede o protagonismo empresarial na COP30 e apresentou propostas para conciliar produção de alimentos com captura de carbono.

Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS. (Foto: Divulgação)
O setor privado brasileiro deve liderar a agenda de desenvolvimento do país com base em três eixos: aumento da produtividade, inclusão e sustentabilidade, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, durante o Bloomberg Línea Summit Brasil 2025, realizado em São Paulo.
Em conversa mediada por Marcelo Sakate, editor-chefe da Bloomberg Línea, o executivo defendeu o protagonismo empresarial na COP30 e apresentou propostas para conciliar a produção de alimentos com a captura de carbono.
Segundo Tomazoni, o agronegócio brasileiro é exemplo de um setor que avançou com base em tecnologia, ciência e gestão, sem depender diretamente de políticas públicas.
“O agro está liderando e não foi necessário que fosse impulsionado por agentes governamentais. O governo esteve do lado, apoiando o agro, mas quem liderou e quem está liderando são os empreendedores do agro”, disse.
O executivo destacou que a COP30, que será realizada em Belém (PA) entre 10 e 21 de novembro, deve registrar a maior presença do setor privado na história das conferências climáticas da ONU.
“A COP30 é um encontro governamental, no entanto, deve ser este ano a maior presença do setor privado numa COP, porque o setor privado é o grande executor das políticas”, afirmou.
Tomazoni lidera a força-tarefa de sistemas alimentares no SB COP30, evento empresarial que antecede a conferência e reúne CEOs globais. O grupo elaborou 14 propostas práticas a partir de discussões com a academia, institutos de pesquisa, ministros de países africanos e produtores brasileiros — com o objetivo de conciliar a produção de alimentos com a redução de emissões e a captura de carbono.
As recomendações já foram apresentadas ao ministro responsável pela conferência e ao embaixador André Corrêa do Lago, coordenador da COP30 no Brasil, além de terem sido discutidas em encontro na sede da Bloomberg, em Nova York.
“Os grandes desafios globais, como o combate à fome e às mudanças climáticas, são globais. Não podemos ficar restritos”, declarou Tomazoni.
O executivo também apresentou estratégias para agricultura sustentável durante reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio) e defendeu uma integração mais fluida entre setor público, privado e academia, sem compartimentos isolados.
“Precisamos trabalhar de forma conjunta. É assim que o Brasil pode ser protagonista e contribuir com o mundo”, afirmou.