Startup levanta US$ 250 milhões para desafiar domínio logístico da Amazon
Avaliada em US$ 3 bilhões, Stord aposta em robótica, IA e expansão de armazéns para oferecer entregas rápidas a varejistas independentes nos Estados Unidos.
Stord aposta na disputa da infraestrutura logística que sustenta a operação da Amazon. (Foto: Divulgação)
Enquanto parte do varejo ainda tenta competir com a Amazon em preço ou variedade de produtos, a startup americana Stord aposta em outro caminho: disputar a infraestrutura logística que sustenta a operação da gigante do e-commerce. Para acelerar essa estratégia, a companhia anunciou uma nova rodada de investimentos de US$ 250 milhões.
Em reportagem publicada pelo InfoMoney, a rodada Série F foi liderada pela Strike Capital, com participação de fundos como Founders Fund, Kleiner Perkins, G Squared e BOND. Com o novo aporte, a Stord passou a ser avaliada em US$ 3 bilhões, dobrando seu valuation em menos de um ano.
Fundada em 2015 e sediada em Atlanta, a startup já captou mais de US$ 775 milhões desde sua criação. O modelo da empresa busca oferecer a varejistas independentes uma estrutura logística semelhante à da Amazon, integrando armazenamento, software, gestão de estoque e entregas rápidas.
“Essa é a infraestrutura que queremos entregar para qualquer marca independente”, afirmou Sean Henry, cofundador e CEO da Stord, segundo o InfoMoney.
Atualmente, a empresa opera quase 100 armazéns na América do Norte e parte da Europa. A operação movimenta mais de US$ 15 bilhões em volume bruto de mercadorias (GMV) por ano para aproximadamente mil clientes.
Além do crescimento orgânico, a expansão também vem sendo acelerada por aquisições estratégicas. A companhia já realizou oito compras desde sua fundação, incluindo a Ware2Go, da UPS, em 2025, a Shipwire, adquirida da CEVA Logistics neste ano, além da operação de fulfillment para e-commerce da Pitney Bowes.
A nova rodada também marca o lançamento do Stord Labs, estrutura criada para testar robótica e automação antes da implementação em larga escala nos centros logísticos da companhia.
Segundo Sean Henry, a startup já trabalha com mais de cinco fornecedores de robótica, embora os nomes não tenham sido divulgados. A estratégia inclui o uso de inteligência artificial para reduzir custos operacionais, acelerar o processamento de pedidos e aproximar os prazos de entrega do padrão estabelecido pelo Amazon Prime.
Hoje, a Amazon controla cerca de 40% do e-commerce americano. Os outros 60% permanecem pulverizados entre varejistas que, em grande parte, não possuem capacidade logística para competir no mesmo nível de eficiência e velocidade.
O movimento da Stord acontece em um momento em que a própria Amazon amplia os investimentos em logística. Em maio, a companhia passou a operar entregas em até 30 minutos em dezenas de cidades americanas por meio do programa Amazon Now.
No ano passado, a empresa também informou ter alcançado a marca de um milhão de robôs operando em seus armazéns, reforçando a corrida tecnológica pela automação do setor logístico.