Agentes de IA poderão realizar uma em cada quatro compras online até 2030

Tecnologia promete automatizar parte da jornada de consumo e pode deslocar até US$ 234 bilhões dos softwares corporativos para soluções baseadas em agentes autônomos.

shutter-speed-BQ9usyzHx_w-unsplashExpectativa é que agentes autônomos pesquisem produtos, comparem alternativas e concluam transações em nome dos usuários. (Foto: Unsplash)

A próxima transformação do comércio eletrônico deverá mudar não apenas o volume de vendas, mas a própria forma como os consumidores compram pela internet. Com o avanço da inteligência artificial agêntica, agentes autônomos poderão pesquisar produtos, comparar alternativas e concluir transações em nome dos usuários.

A expectativa é que esses sistemas sejam responsáveis por uma em cada quatro transações globais do comércio eletrônico até 2030. Dados citados pela Bloomberg Línea mostram que o tráfego gerado por plataformas de inteligência artificial generativa em sites de e-commerce cresceu quase 5.000% no último ano.

Uma pesquisa da Bain & Company indica ainda que 55% dos consumidores já utilizam as principais ferramentas disponíveis no mercado para pesquisar produtos. À medida que a tecnologia evoluir, a tendência é que os agentes assumam uma parcela maior da jornada de compra hoje realizada diretamente pelos clientes.

Um relatório do BTG Pactual considera a chamada agentic AI o primeiro desafio realmente relevante ao modelo que predominou no comércio eletrônico por mais de duas décadas. Diferentemente das ferramentas atuais, que ajudam a localizar produtos e direcionam os usuários às lojas, os agentes poderão executar a compra de forma autônoma.

“A inteligência artificial agêntica leva a agenda da transformação digital do varejo para um novo patamar”, afirmou Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail. “Porque ela não implica só em fazer coisas novas, como foi no caso do e-commerce e da digitalização até aqui, mas em redesenhar processos antigos.”

A mudança exigirá que varejistas revejam estratégias, processos e formas de relacionamento com os consumidores. Empresas que não incorporarem a tecnologia poderão perder vendas para concorrentes capazes de oferecer experiências de compra mais automatizadas.

“Teremos uma grande mudança em relação aos ganhos de produtividade, de eficiência e na maneira como as empresas se relacionam com os clientes”, disse Serrentino.

Impacto nos softwares corporativos

Os efeitos dos agentes de IA também deverão alcançar os investimentos corporativos. A Gartner estima que até US$ 234 bilhões poderão migrar dos softwares oferecidos pelo modelo de serviço por assinatura, conhecido como Software as a Service (SaaS), para soluções de inteligência artificial baseadas em agentes autônomos.

O montante equivale a aproximadamente 20% do mercado global de SaaS e representa um risco para as empresas do setor. O movimento vem sendo chamado de agentic arbitrage.

Como as companhias de software costumam cobrar pelo número de licenças de acesso, a automação de tarefas poderá reduzir a quantidade de usuários necessária para executar determinados processos. Com agentes assumindo parte dos fluxos de trabalho, as empresas clientes poderão contratar menos licenças, pressionando a receita das desenvolvedoras.