BID Invest anuncia pacotes bilionários em financiamento para agricultura, energia, biodiversidade e inovação
Pacote de iniciativas do BID e BID Invest injeta bilhões em crédito e inovação verde no Brasil.
Carlos Felipe Jaramillo, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o BID Invest intensificaram sua atuação no Brasil com uma série de operações financeiras que reforçam o compromisso com a sustentabilidade, a inovação e a modernização econômica do país. Os investimentos abrangem agricultura responsável, energia renovável, biodiversidade, transformação digital e novos mecanismos de ampliação do acesso ao capital privado, com destaque para projetos estruturantes do Plano de Transformação Ecológica.
Em julho, o BID aprovou um empréstimo de US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) para apoiar reformas políticas e estimular investimentos privados. A iniciativa está diretamente ligada ao Eco Invest Brasil, programa criado em parceria com o governo federal para enfrentar uma das principais barreiras históricas ao investimento: a volatilidade cambial. “O objetivo com o Eco Invest é atrair capital privado ao país por meio de inovações financeiras, como blended finance e instrumentos de proteção contra a volatilidade cambial”, afirmou Ilan Goldfajn, presidente do BID. “Nossa colaboração pretende aumentar os investimentos no Brasil, criando empregos e gerando benefícios tangíveis para os brasileiros.”
O secretário nacional do Tesouro, Rogério Ceron, ressaltou o caráter estruturante da iniciativa: “As inovações promovidas pelo Eco Invest e pela agenda de investimentos verdes, inclusive com apoio do BID, são poderosas. Falamos de avanços que ampliam o potencial do Brasil em prol de mais produtividade e melhores condições de emprego e renda, de forma alinhada à responsabilidade socioambiental.” Segundo projeções, o Eco Invest deve mobilizar US$ 10,8 bilhões (R$ 60 bilhões) até 2027, sobretudo via setor privado. O pacote inclui fundo de liquidez contra volatilidade cambial, programa de derivativos e apoio à estruturação de projetos sustentáveis, além de fortalecer a governança do Plano de Transformação Ecológica, criar padrões para títulos soberanos sustentáveis e contribuir para a estratégia nacional de bioeconomia.
Outro movimento relevante veio com o lançamento de uma plataforma do BID e do Banco Mundial para captar capital privado destinado à região amazônica, baseada nas Diretrizes para Emissão de Títulos da Amazônia. A primeira ação será a emissão de até US$ 1 bilhão em títulos voltados a projetos de preservação da biodiversidade, redução do desmatamento e fortalecimento da economia local. “Este programa oferece um marco claro para canalizar capital privado ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Com padrões de uso e reporte, dá aos investidores confiança de que seu financiamento gerará impacto real”, destacou Goldfajn. Para o vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Carlos Felipe Jaramillo, trata-se de “um passo importante para mobilizar financiamento sustentável para uma das regiões mais vitais do mundo”.
No setor agrícola, o BID Invest destinará até US$ 10 milhões ao Responsible Commodities Facility (RCF), que financia a produção de soja livre de desmatamento e conversão (DCF) no Cerrado. A iniciativa deve alcançar 280 produtores na safra 2025/2026, conservando 90 mil hectares e evitando a emissão de 22 milhões de toneladas de CO₂. Outro destaque é o empréstimo de US$ 70 milhões ao Banco Sicoob, voltado à agricultura sustentável e energias renováveis, com foco especial na Amazônia. O pacote também inclui consultoria em gestão ambiental, social e de gênero, reforçando a competitividade com sustentabilidade de longo prazo.
Na frente de inovação financeira, em parceria com a IFC e o Itaú Unibanco, o BID Invest apoiou a emissão do primeiro título brasileiro dedicado à biodiversidade e inclusão social, no valor de R$ 1,4 bilhão (US$ 250 milhões). Os recursos financiarão iniciativas como o programa REVERTE, que busca regenerar pastagens degradadas e recuperar 1 milhão de hectares até 2030, além de ampliar o crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). “No BID Invest, estamos comprometidos em promover um setor financeiro focado no crescimento econômico sustentável em toda a região”, afirmou Diego Flaiban, diretor e chefe da divisão do setor financeiro da instituição.
A digitalização também ganhou espaço entre os anúncios. O BID Invest firmou parceria com a Magazine Luiza (Magalu) para apoiar sua transformação digital com US$ 50 milhões. O pacote financiará o desenvolvimento da nuvem própria da empresa, o uso de inteligência artificial e serviços digitais voltados a MPMEs, fortalecendo o ecossistema do e-commerce nacional. A plataforma já atende 180 mil pequenos e médios negócios, com expectativa de dobrar esse número até 2030. Segundo o banco, o apoio complementará os planos de ação ambientais, sociais e de governança corporativa da companhia.
Carolina da Costa, diretora de Impacto da Stone.
Desenvolvimento
A Stone, principal parceira do empreendedor brasileiro, obteve um financiamento de R$ 295 milhões (US$ 50 milhões) com o BID Invest para fortalecer e expandir a oferta de crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). A iniciativa tem como foco levar recursos e desenvolvimento para a região da Amazônia Legal. O objetivo da ação é diminuir a burocracia e as barreiras que impedem o crescimento dos pequenos negócios, especialmente em regiões mais afastadas do eixo Rio-São Paulo. A Stone usará sua capilaridade regional e tecnologia para levar soluções de crédito personalizadas a MPMEs, ajudando a movimentar a economia local. Além disso, o projeto também oferecerá consultoria estratégica com foco em negócios liderados por mulheres.
“Com os recursos obtidos junto ao BID Invest, vamos oferecer soluções pensadas para os desafios que esses empreendedores enfrentam na Amazônia. Assim, conseguimos impulsionar os negócios e o desenvolvimento das comunidades regionais, por meio da geração de renda e empregos”, afirma Carolina da Costa, diretora de Impacto da Stone. Como parte do acordo, o BID Invest também auxiliará a Stone a aprimorar seus produtos, desenvolvendo soluções que atendam às necessidades específicas de empreendedoras na Amazônia Legal, promovendo a liderança feminina e a inclusão em áreas remotas.