Do pré-sal à floresta: como o Brasil se prepara para liderar a agenda climática global

Com a COP30 no horizonte, Brasil atrai holofotes como exemplo de iniciativas sustentáveis no setor empresarial.

AdobeStock_1346908521Parque eólico em meio à paisagem tropical de Barreirinhas, no Maranhão. A transição energética avança no coração dos Lençóis Maranhenses, unindo natureza e geração limpa de energia. 

À medida que o Brasil se prepara para sediar a COP30, em Belém, o país ganha protagonismo global como uma vitrine de soluções sustentáveis e inovação verde. A conferência, marcada para novembro deste ano, tem impulsionado governos, empresas e instituições a acelerarem compromissos ambientais e transformarem intenções em projetos concretos. Com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e abundância em biodiversidade, o Brasil oferece terreno fértil para modelos de negócios que combinam lucro, descarbonização e impacto social.

Nova tecnologia

Mapa das Iniciativas do Hidrogênio Verde no Brasil, lançado em julho pela consultoria CELA (Clean Energy Latin America), identificou 111 empreendimentos em curso no País, com um total de investimentos anunciados da ordem de R$ 454 bilhões.

Segundo o mapeamento, os projetos de hidrogênio verde, amônia, e-metanol e aço verde estão espalhados por 16 estados brasileiros e vão demandar uma capacidade instalada de 90 gigawatts (GW) de novas usinas renováveis para a produção do combustível e seus derivados.

“A transição energética está em curso no país e o hidrogênio verde pode ter um papel central nesse processo”, comenta Camila Ramos, CEO da CELA.

AdobeStock_307657351O Parque Nacional de Anavilhanas é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral da natureza localizada no estado do Amazonas. 

Mercado de carbono

Enquanto empresas brasileiras se movimentam para aproveitar o momento favorável à transição energética, o mercado regulado de carbono começa a despontar como nova alavanca de competitividade. Aprovado no fim de 2024, o marco legal do setor é visto por 44% dos empresários industriais como uma oportunidade de negócio, segundo levantamento da CNI.

O estudo mostra ainda que 66% das indústrias têm interesse em financiamento para ações sustentáveis — índice que chega a 85% nas regiões Norte e Centro-Oeste. A estimativa é que o sistema possa movimentar até R$ 128 bilhões em receitas, de acordo com o projeto Partnership for Market Readiness (PMR).

“O interesse da indústria pela sustentabilidade e aumento da competitividade, mesmo diante de desafios como o aumento de custos, mostra a disposição do setor em avançar nessa agenda. Em um ano marcado pela realização da COP no Brasil, esses dados reforçam nosso otimismo com a conferência e com o potencial de promover investimentos e bons negócios sustentáveis”, afirma o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz.

Mitigação

Em sintonia com o avanço da agenda climática e a crescente valorização de modelos de negócio sustentáveis, a Natura anunciou o plano Visão 2025–2050, que busca conectar prosperidade econômica, impacto social e conservação da natureza. Até a metade do século, a companhia estima alcançar um modelo de operação totalmente baseado na regeneração — meta que já mobiliza 46 comunidades da sociobiodiversidade na Amazônia, com as quais mantém parcerias estruturadas desde sua atuação na região.

“A Visão reforça nossa convicção de que o futuro exige uma construção no presente e sustentar as coisas como estão já não basta. Como na lógica de uma floresta, estamos apostando na interdependência das relações como motor de crescimento, não apenas para nossos resultados enquanto companhia, mas para toda a sociedade”, afirma João Paulo Ferreira, CEO da Natura.

NATURAJoão Paulo Ferreira, CEO da Natura. 

Expansão

A onda de investimentos em soluções de baixo carbono também movimenta o setor de alimentos. A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, comunicou a ampliação da capacidade de produção de biodiesel em sua unidade de Palmeiras de Goiás (GO), autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A planta poderá produzir até 450 m³ por dia, ou 162 mil m³ por ano — um aumento de 125% em relação à capacidade anterior.

“Estamos investindo consistentemente em iniciativas que contribuam para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa e para a construção de uma cadeia mais eficiente, rentável e sustentável”, afirma Marcelo de Queiroz, Diretor da Minerva Biodiesel, subsidiária da Minerva Foods.