Do Sertão à Presidência: Tarciana Medeiros e a transformação do Banco do Brasil

Nomeada em 2023, executiva marca o ápice de uma trajetória de quase 100 anos de avanços femininos no BB.

Tarciana Medeiros - presidente BB - crédito Fernando Santos_Divulgação BB (2)Nomeada em 2023, executiva marca o ápice de uma trajetória de quase 100 anos de avanços femininos no BB. (Foto: Fernando Santos/ Divulgação)

Em 16 de janeiro de 2023, o Banco do Brasil entrou para a história ao nomear, pela primeira vez em 214 anos, uma mulher como presidenta: Tarciana Medeiros, funcionária da instituição há 22 anos. Sua chegada ao comando do BB simboliza uma longa jornada de conquistas femininas na empresa, iniciada com a pioneira Emma Medeiros em 1924, e marcada por avanços graduais — como a reabertura de concursos para mulheres em 1969, a primeira diretora nomeada em 2003, e diversas adesões a programas de equidade ao longo das últimas décadas.

Em seu discurso de posse, Tarciana destacou suas raízes nordestinas, agradeceu aos 85 mil colegas do banco e defendeu um BB plural, inovador e comprometido com o desenvolvimento econômico e social do país. A presidenta prometeu um banco adaptado às necessidades específicas de cada cliente. Entre suas metas estão a ampliação da liderança feminina — com objetivo de 30% de mulheres em cargos de gestão até o final deste ano —, o fortalecimento da educação e inclusão financeira, a consolidação da transformação digital e o apoio à sustentabilidade socioambiental.

“Eu, mulher nordestina, paraibana, mãe, quando fui indicada para ser a primeira presidenta do BB, voltei exatamente para as minhas raízes, aquilo que me forma como pessoa e como profissional”, disse.

Desenvolvimento

Em julho deste ano, o Banco fechou um acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para destinar US$ 250 milhões para apoiar o Programa BB Amazônia, uma iniciativa voltada à promoção de negócios da bioeconomia e à expansão da infraestrutura sustentável dessas cadeias na Amazônia Legal brasileira.

O pacote inclui um empréstimo de US$ 175 milhões do BID e outro de US$ 75 milhões do Fundo Verde para o Clima (GCF na sigla em inglês). O programa ampliará o acesso ao crédito para pequenos empreendimentos locais ao longo das cadeias de valor da bioeconomia, assim como projetos de infraestrutura sustentável focados em energia renovável e conectividade digital.

Novos mercados

Ainda com o objetivo de favorecer o crescimento econômico do país, o Banco do Brasil e o Banco de Desenvolvimento da China (CDB), acabam de assinar um termo de compromisso de US$ 1 bilhão para ampliar financiamentos a empresas brasileiras e chinesas. O acordo prevê uma linha de crédito, com prazo de até cinco anos, que permitirá ao Banco do Brasil expandir as operações de financiamento nas áreas de infraestrutura, agronegócio, exportação e importação. A iniciativa beneficiará empresas brasileiras e chinesas com atuação no Brasil, contribuindo para o desenvolvimento econômico bilateral.

De acordo com Tarciana, o acordo consolida o Banco do Brasil como protagonista dos negócios entre o Brasil e a China.

“Construímos uma relação de 21 anos que demonstra que conhecemos as necessidades dos investidores chineses, de um lado, e de outro conhecemos como ninguém as potencialidades de negócios em todo o Brasil”, afirmou.