Brasil assume protagonismo na transição energética com Cosan, Shell e bp à frente da descarbonização
Gigantes globais da energia investem em soluções de baixo carbono, transformando o país em plataforma estratégica para a descarbonização mundial.
Cristiano Pinto da Costa, presidente da Shell Brasil.
Em um momento em que o mundo busca conter os efeitos da crise climática, o Brasil ganha relevância como potência energética capaz de oferecer soluções em larga escala para uma economia de baixo carbono. Nesse contexto, Cosan, Shell e bp consolidam-se como protagonistas de uma agenda que combina inovação, eficiência e sustentabilidade, com projetos que vão do pré-sal ao hidrogênio verde.
A Cosan, um dos maiores grupos de energia e infraestrutura do país, amplia investimentos em iniciativas que posicionam o Brasil na transição para uma matriz energética mais limpa. Por meio de suas controladas Edge, Rumo e Raízen, a companhia demonstra que é possível unir produtividade e responsabilidade ambiental. A Edge já se destaca na produção de biometano a partir de resíduos urbanos, combustível 100% renovável que reduz em até 87% as emissões em relação ao diesel e contribui para a descarbonização do transporte pesado e da indústria.
Na Rumo, maior operadora ferroviária do país, o transporte de mais de 70 milhões de toneladas em 2024 evitou a emissão de cerca de 6,9 milhões de toneladas de CO2. Pesquisas em locomotivas híbridas e ganhos de eficiência resultaram em uma redução de 40,7% nas emissões por tonelada desde 2015. Já a Raízen, líder mundial em etanol de cana-de-açúcar, reforça a posição do Brasil como referência em biocombustíveis, com um produto que emite até 80% menos gases de efeito estufa do que a gasolina e gera mais de 2,2 milhões de empregos diretos e indiretos.
“A sustentabilidade sempre esteve no DNA da Cosan. O Brasil já é uma referência global porque o mundo depende tanto da nossa produção agrícola quanto dos combustíveis renováveis que desenvolvemos aqui”, afirma Marcelo Martins, CEO da Cosan.
Com mais de um século de presença no país, a Shell mantém-se como referência em energia integrada, combinando exploração de petróleo e gás, biocombustíveis e soluções de baixo carbono. Para Flávio Rodrigues, vice-presidente de Relações Corporativas da Shell Brasil, a estabilidade regulatória é essencial para garantir a continuidade dos investimentos. A companhia tem metas claras: crescer de 4% a 5% ao ano em vendas de gás natural liquefeito (GNL) até 2030, aumentar em 1% a produção de petróleo e gás por ano e destinar até 10% do capital a plataformas de baixo carbono.
O petróleo do pré-sal, com menor intensidade de carbono em relação à média global, é um diferencial competitivo, assim como a presença em mercados livres de gás e energia elétrica, biocombustíveis e soluções ambientais, por meio da Shell Energy e da Raízen. A empresa investe cerca de R$ 500 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, sendo 30% desse valor voltado a projetos de baixo carbono, como captura e uso de CO2 e biocombustíveis avançados.
A bp, por sua vez, aposta em uma estratégia que combina bioenergia em larga escala e petróleo de baixo carbono, reforçando o Brasil como parte essencial de seu crescimento global. Presente no país há mais de 50 anos, a companhia atua de forma integrada em exploração e produção de petróleo e gás, com destaque para o campo Bumerangue, a maior descoberta da empresa em 25 anos.
Sua operação em bioenergia também tem peso relevante. A bp bioenergy mantém 11 unidades agroindustriais em cinco estados, com capacidade para moer 32 milhões de toneladas de cana por safra, produzindo 1,7 bilhão de litros de etanol, 1,7 milhão de toneladas de açúcar e 1,4 TWh de bioeletricidade. A empresa também atua em combustível de aviação e marítimo (Air bp e Efen), trading de energia, lubrificantes (Castrol) e energia solar (Lightsource bp).
“O petróleo brasileiro apresenta menor intensidade de carbono que a média global e, aliado à bioenergia, permite ao país atender à demanda de forma competitiva”, afirma Andres Guevara, presidente da bp Brasil e CEO da bp Bioenergy.