Brasil e Reino Unido fortalecem laços econômicos e ampliam cooperação estratégica pós-Brexit

O Reino Unido, sexta maior economia do mundo, é um dos principais destinos de produtos brasileiros na Europa.

PatriotaAntonio de Aguiar Patriota, embaixador brasileiro em Londres. 

Desde o Brexit, o Reino Unido vem redesenhando sua política comercial e ampliando parcerias com economias emergentes. O Brasil ocupa papel estratégico nesse processo. Com um comércio bilateral de US$ 6,2 bilhões em 2024 e um estoque de investimento direto britânico de US$ 61,3 bilhões, a relação entre os dois países vive uma fase de expansão baseada em cooperação econômica, inovação e sustentabilidade.

O Reino Unido, sexta maior economia do mundo, é um dos principais destinos de produtos brasileiros na Europa. Nos últimos dez anos, foram anunciados 138 projetos greenfield e 52 operações de fusões e aquisições de origem britânica, com destaque para energia, infraestrutura e bens de consumo. De acordo com a ApexBrasil, há cerca de 400 oportunidades comerciais para produtos brasileiros, especialmente em máquinas, alimentos, bebidas, químicos e manufaturados. A agência também apoia 20 projetos setoriais nas áreas de moda, saúde, tecnologia e economia criativa, voltados à ampliação das exportações e à atração de investimentos.

foto HMA 1Stephanie Al-Qaq, embaixadora do Reino Unido no Brasil. 

O reconhecimento britânico da independência do Brasil, em 1825, marcou o início de uma parceria que atravessa dois séculos. Para celebrar o bicentenário das relações diplomáticas, os governos dos dois países promoveram uma série de eventos voltados a temas como energia limpa, comércio, educação, cultura e ciência. A embaixadora britânica Stephanie Al-Qaq destacou que a celebração é uma oportunidade de reconhecer uma trajetória de colaboração que gerou resultados concretos para ambos os lados. Já o embaixador brasileiro em Londres, Antonio de Aguiar Patriota, ressaltou o papel da diplomacia econômica na ampliação dos negócios e lembrou que as negociações agrícolas após o Brexit representam avanços significativos na relação bilateral.

Em setembro, autoridades dos dois países se reuniram em Brasília para discutir temas ligados à política industrial, sustentabilidade e inteligência artificial. O encontro foi conduzido pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e pelo ministro britânico do Comércio, Chris Bryant. Na ocasião, foram assinados memorandos de entendimento sobre crédito à exportação, boas práticas regulatórias e criação de um grupo de trabalho para reduzir barreiras técnicas ao comércio. Elias Rosa afirmou que, com a Nova Indústria Brasil, que prevê R$ 1,2 trilhão em investimentos até 2026, o país avança em transição energética e competitividade industrial. O ministro britânico destacou que o diálogo tem efeito prático para as empresas e ajuda a destravar dificuldades enfrentadas por exportadores, abrindo novas oportunidades de cooperação.

Durante missão oficial a Londres, o Ministério da Agricultura e Pecuária firmou um acordo com o Reino Unido para promover a produção e o uso sustentável de fertilizantes, além de ampliar a cooperação científica e tecnológica. O memorando prevê ações conjuntas em pesquisa e boas práticas voltadas à gestão do nitrogênio, redução de emissões e preservação dos solos. As iniciativas integram o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP), lançado em 2025, e servirão de base para projetos que serão apresentados na COP30, em Belém. A delegação brasileira também se reuniu com o Department for Environment, Food and Rural Affairs (DEFRA) e com instituições como a Universidade de Oxford e o Rothamsted Research, para tratar de temas relacionados à biossegurança e à inovação agrícola.

Os 200 anos de relações entre Brasil e Reino Unido reforçam uma cooperação em constante evolução. Com foco em investimento, tecnologia e sustentabilidade, os dois países ampliam o diálogo e consolidam uma agenda voltada ao crescimento econômico e ao desenvolvimento conjunto para as próximas décadas.