Ceron: Há disposição de ajudar o agro, mas dentro daquilo que é possível e necessário

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que há uma preocupação e uma disposição do governo em ajudar o agronegócio do País, "mas, claro, dentro daquilo que é possível, razoável e necessário". O Senado aprovou na quarta o projeto de lei que prevê a renegociação de dívidas rurais com uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, cujo custo ao Tesouro é estimado em R$ 140 bilhões em 13 anos. O tema é visto como "pauta-bomba" pelo Executivo pelo elevado impacto fiscal.

Em entrevista ao SBT News, Ceron disse que não busca dar um tom de alarmismo, e lembrou que diversos atores de mercado e outras instituições também estão alertando que o País não suporta esse tipo de movimento, em referência às "pautas-bomba", incluindo o projeto de renegociação das dívidas rurais.

"O diálogo sempre existe. (...) Tem outros mecanismos, mas a busca pelo consenso e pela solução negociada sempre é o melhor caminho", respondeu, ao ser questionado sobre novos contatos do governo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Pisos salariais

Sobre os pisos salariais para diversas categorias profissionais, o secretário reconheceu o mérito dos vários setores, mas indicou que a maneira de fazer isso não é tão simples.

"O próprio presidente do Senado fez um discurso bastante responsável falando que se todos os pisos fossem aprovados, dos Brasis que teriam que ser suportados, infelizmente o País não tem todos esses recursos", sustentou, acrescentando que a vida real é diferente, e a renda média do País é fruto de vários fatores, que não são alterados com o mero estabelecimento de pisos.

"Algumas dessas matérias, se forem aprovadas, posso com convicção dizer que elas vão gerar uma quebradeira em Estados e municípios, vai gerar impacto para todo o País, não é só governo federal. E colapsar um município significa colapsar os serviços essenciais para a população", prosseguiu. E finalizou lembrando que às vésperas do período eleitoral se deve ter ainda mais cautela e serenidade em medidas de caráter estrutural.