Família Sanchez unifica negócios farmacêuticos sob a nova marca Grupo EMS e mira expansão global

Com faturamento impulsionado pela liderança de duas décadas da EMS no mercado nacional, nova holding reorganiza portfólio de laboratórios e isola ativos de outros setores na NC Corp.

O mercado farmacêutico brasileiro amanheceu com uma nova configuração institucional. Em um movimento estratégico de grande porte, a família Sanchez anunciou nesta quarta-feira (10) a criação oficial do Grupo EMS. A nova holding corporativa passa a centralizar todas as operações, laboratórios e braços de pesquisa do ecossistema farmacêutico liderados pela família, desenhando uma estrutura robusta voltada para a consolidação internacional.

O projeto de rebranding e arquitetura de marca, desenvolvido em parceria com a agência Tátil Design, busca dar clareza ao mercado sobre a real dimensão do conglomerado. Até então, as diferentes marcas e laboratórios operavam de forma pulverizada aos olhos do público. Agora, a potência que foca em ultrapassar as fronteiras nacionais ganha uma identidade unificada.

"Este movimento nasce da percepção do Conselho e da liderança sobre a necessidade de reposicionar e fortalecer nossa comunicação, nossos diferenciais e nossas ambições", explicou Marcus Sanchez, vice-presidente do Grupo EMS. "Ele traduz a dimensão que o grupo alcançou e reafirma nosso compromisso com acesso, inovação e protagonismo."

Rebranding-Grupo-EMS (2)Família Sanchez unifica negócios farmacêuticos sob a nova marca Grupo EMS e mira expansão global. (Foto: Divulgação)

Uma potência dividida em quatro pilares

A escolha do nome não foi por acaso: reflete o peso da EMS, principal marca do grupo e líder incontestável do mercado farmacêutico brasileiro há 20 anos. Sob o novo guarda-chuva corporativo, a operação com mais de 12 mil colaboradores foi desenhada em quatro pilares estratégicos:

  • Laboratórios: Concentra a própria EMS, além de marcas consolidadas como Germed, Legrand, Nova Química, Brace Pharma, Multilab, Ofta e Under Skin. O pilar aguarda apenas o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para incorporar oficialmente a Medley ao portfólio.

  • Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I): Inclui a fábrica de peptídeos em Hortolândia (SP) e o laboratório Monteresearch, localizado na Itália. O grupo se destaca no cenário nacional por investir mais de R$ 1 bilhão por ano em PD&I e ser a empresa que mais emprega PhDs no Brasil.

  • Operações Internacionais: Reúne os ativos globais do grupo, como a KSK (México), a Galenika (Sérvia) e a Vero Biotech (Estados Unidos), subsidiária na qual a EMS detém participação majoritária.

  • Logística: Centralizada na Snellog, operador logístico baseado em Jaguariúna (SP).

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Marcus Sanchez, vice-presidente do Grupo EMS. (Foto: Divulgação)

Separação de ativos: O que muda para as marcas e outros setores

Apesar da criação da holding, o consumidor final não verá mudanças drásticas nas gôndolas das farmácias. O Grupo EMS funcionará estritamente como uma plataforma institucional e de governança, oferecendo suporte financeiro e visão de longo prazo. Marcas como Legrand, Germed e a própria EMS manterão suas identidades visuais originais de mercado e não adotarão assinaturas comerciais atreladas ao grupo.

A mudança visual focou na marca institucional do grupo, que ganhou uma evolução do icônico símbolo da molécula. Desenvolvido pela Tátil Design, o novo logo adota traços mais robustos e variações de tons de azul para transmitir tecnologia e solidez.

Divisão de águas na mesa da família Sanchez

O movimento de rebranding também serviu para organizar o patrimônio da família que não está ligado à saúde. A partir de agora, a marca NC Corp passa a isolar e concentrar todos os negócios não farmacêuticos dos Sanchez, o que inclui:

  1. Comunicação: Rede NSC (afiliada da Rede Globo em Santa Catarina);

  2. Imobiliário: Incorporadora 3Z Realty;

  3. Energia: ADS Energias Renováveis.

De olho no futuro

Com mais de 60 anos de trajetória na indústria nacional, o redesenho institucional do grupo sinaliza que a empresa se prepara para uma nova rodada de fusões, aquisições e agressividade no mercado externo.

Para Pedro Médicis, presidente da Tátil Design, o projeto preparou o terreno para o futuro da companhia. "Nossa missão era alinhar o compromisso da marca com o tamanho e a relevância do negócio, criando as bases para os próximos ciclos de crescimento da companhia, no Brasil e no mundo", conclui.