Kim Kataguiri: 'A direita não pode continuar refém do bolsonarismo'

Em evento do LIDE Futuro, deputado e pré-candidato ao governo de São Paulo criticou Bolsonaro e Tarcísio e defendeu endurecimento contra o crime organizado.

DSC01442Kim Kataguiri, deputado federal, e Vittorio Furlan, presidente do LIDE Futuro. (Foto: Trinca Produções/LIDE)

O deputado federal Kim Kataguiri afirmou nesta semana que a direita brasileira precisa romper com o bolsonarismo para construir um novo ciclo político no país. Durante encontro promovido pelo LIDE Futuro com cerca de 30 jovens empresários, em São Paulo, o parlamentar fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao governador Tarcísio de Freitas e ao modelo político atual, além de defender uma agenda de reformas estruturais, segurança pública mais rígida e uma renovação institucional no Brasil.

“Quanto mais tempo a gente for refém da direita bolsonarista, mais tempo a gente vai ter de esquerda no poder”, declarou Kim. Segundo ele, o bolsonarismo perdeu força após desperdiçar a oportunidade de implementar mudanças profundas no país. “Era para a direita ficar 16 anos no poder. O Bolsonaro se esforçou muito para perder a eleição e quase não conseguiu”, afirmou.

Ao falar sobre o Movimento Brasil Livre e o novo partido Missão, Kim adotou um tom otimista e disse que o grupo vive “o melhor momento da sua história”. O deputado destacou a conquista da estrutura partidária própria como um divisor de águas para o movimento. “Agora a gente tem um poder institucional que nunca teve. Podemos disputar qualquer eleição, para qualquer cargo”, afirmou. Segundo ele, o objetivo do grupo é construir maioria política no Congresso, disputar governos estaduais e lançar candidatura presidencial nos próximos ciclos eleitorais.

Durante o encontro, Kim também confirmou que o partido deve lançar candidatura ao governo de São Paulo em 2026 — e indicou que ele próprio deve liderar a disputa.

“É praticamente 100% de chance de nós termos uma candidatura ao governo do Estado”, disse. Em seguida, criticou a gestão de Tarcísio de Freitas por falta de identidade política e resultados concretos. “O Tarcísio não tem uma marca. Não existe algo que a população olhe e diga: ‘foi ele que entregou isso’”, afirmou.

Na segurança pública, o parlamentar defendeu respaldo total às forças policiais e endurecimento no combate ao crime organizado. Kim afirmou ainda que, se eleito governador, assumiria pessoalmente a responsabilidade política por ações policiais. “Não vai ter nenhum policial respondendo sozinho no CPF dele por agir no exercício da função. Eu sou o comandante da Polícia Militar”, declarou.

O deputado também dedicou parte do debate à economia, defendendo uma agenda de austeridade fiscal e revisão do sistema de emendas parlamentares. Segundo ele, o atual modelo cria incentivos perversos para prefeitos e parlamentares. “O incentivo do Congresso hoje é arrecadar mais para ter mais emenda. A gente quer inverter isso e transformar o incentivo político em incentivo fiscalista”, explicou. Para Kim, reformas estruturais poderiam abrir espaço para investimentos em infraestrutura, inovação e inteligência artificial.

DSC01333Jovens empresários estiveram reunidos com o parlamentar na Casa LIDE, em São Paulo. (Foto: Trinca Produções/LIDE)

Kim afirmou acreditar que o Brasil atravessa uma janela histórica de transformação política e institucional. “Eu tenho plena convicção de que a nossa geração vai viver uma nova constituinte”, disse. Para ele, o país vive uma crise prolongada de representação e produtividade. “O Brasil poderia ser hoje uma potência desenvolvida. O que aconteceu nos últimos 40 anos é grotesco”, afirmou.