Revolução no campo: AgTech alemã capta R$ 106 milhões para expandir análise de solo em tempo real no Brasil
Diante da alta dependência de fertilizantes importados, tecnologia da Stenon promete reduzir custos em até 40% ao medir o nitrogênio direto no campo, sem esperar por laboratório.
A AgTech alemã Stenon anunciou a captação de € 18 milhões (aproximadamente R$ 106 milhões) em sua rodada de investimentos Série B. O aporte, liderado pela investidora europeia de impacto Pymwymic e pelo DeepTech & Climate Fonds (DTCF), será direcionado para acelerar o desenvolvimento de produtos e expandir a atuação da empresa em mercados estratégicos, elegendo o Brasil como o grande foco de crescimento.
A tecnologia da startup ataca um dos maiores gargalos do agronegócio global: a eficiência no manejo de nutrientes, combinando a medição de nitrogênio disponível para a planta (Nmin) e o carbono orgânico do solo (SOC) em tempo real. A rodada também contou com a participação de investidores de peso que já apoiavam a empresa, como o Founders Fund e a TIME Ventures, veículo de investimento de Marc Benioff.
Jens Meichsner (CTO) e Niels Grabbert (CEO) da Stenon Stenon. (Foto: Divulgação)
A resposta para um gargalo estratégico do agro brasileiro
O Brasil é um gigante agrícola cuja produção respondeu por 25,13% do PIB nacional em 2025. No entanto, o país vive uma vulnerabilidade histórica: cerca de 85% dos fertilizantes utilizados em solo brasileiro são importados. No caso dos nitrogenados, a produção nacional supria apenas cerca de 8% do consumo em 2023, segundo dados do Insper.
Com a volatilidade de preços e a instabilidade na oferta global, otimizar cada quilo de insumo virou prioridade econômica.
"Quando o nitrogênio está caro ou limitado, cada aplicação imprecisa vira custo, risco e perda de eficiência. Produtores e distribuidores brasileiros não controlam o câmbio ou o preço internacional, mas podem controlar com muito mais precisão como cada quilo é usado", destaca Niels Grabbert, fundador e CEO da Stenon.
Como funciona: inteligência artificial substitui a espera por laboratórios
A solução da startup, batizada de FarmLab, une sensores ópticos e elétricos, inteligência artificial e softwares em nuvem. A grande disrupção está na velocidade: em vez de coletar amostras de terra e aguardar semanas pelos resultados de um laboratório tradicional, o produtor ou consultor consegue mapear a variabilidade da lavoura e tomar decisões de fertilização imediatamente, direto no campo.
Os resultados práticos em múltiplos países mostram um impacto direto na margem financeira das fazendas:
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Economia de insumos: Redução de 20% a 40% no uso de fertilizantes nitrogenados.
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Ganho de produtividade: Aumento de 2% a 8% em culturas de grande relevância como milho, feijão, café, soja, cana-de-açúcar, algodão e hortaliças.
O plano de expansão e o futuro integrado às máquinas
No mercado brasileiro, a Stenon já marca presença em regiões agrícolas fundamentais dos estados de Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo. Agora, os novos recursos da Série B serão aplicados no fortalecimento do suporte ao cliente, na calibração agronômica para os solos tropicais locais e na expansão comercial na América do Sul, Ásia Central e Europa.
FarmLab, da Stenon, em plantação de algodão Stenon. (Foto: Divulgação)
Além disso, a AgTech prepara o próximo salto tecnológico. Desenvolvida em sigilo nos últimos anos, uma nova plataforma promete evoluir o sistema de sensores portáteis para uma inteligência de nutrientes integrada diretamente às máquinas agrícolas em movimento.
O objetivo é transformar os dados de solo em uma infraestrutura contínua para a agricultura moderna. Com medições frequentes e específicas por talhão, o setor deixa de se guiar por médias históricas atrasadas e passa a nutrir a planta com base na realidade exata do momento.