Taxas de juros avançam em ritmo fraco, apesar de alta do petróleo e dos Treasuries

Os juros futuros terminaram a sessão desta terça-feira, 21, com discreta alta, mas sem deixar para trás a tendência de letargia que marcou o pregão. Em um dia de baixa liquidez e sem catalisadores, o avanço das taxas não chegou a 4 pontos-base, mesmo com a firme abertura da curva dos Treasuries e o aumento de cerca de 2% do petróleo, em meio às tensões renovadas entre Estados Unidos e Irã.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,923% no ajuste da véspera a 13,935%. O DI para janeiro de 2029 aumentou a 14,41%, vindo de 14,388% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 avançou de 14,565% a 14,595%.

Com volume de negócios bastante reduzido devido à agenda econômica fraca, os DIs recuaram no início da sessão, com suporte da queda do dólar, e depois atingiram máximas no fim da manhã, impulsionados por aceleração do petróleo e do retorno dos títulos soberanos dos EUA. Começaram a tarde estáveis e, por volta das 16h, ganharam algum fôlego, mas sem forças para se afastar dos ajustes anteriores.

O movimento foi limitado se comparado à trajetória dos Treasuries, que reagiram à continuidade da troca de ataques entre EUA e Irã pelo décimo dia seguido, apesar dos relatos na imprensa de que mediadores propuseram um cessar-fogo de 10 dias para reativar um acordo provisório.

Head de renda fixa da Porto Asset, Gustavo Okuyama avalia que a pressão global não surtiu tanto efeito sobre o mercado local de renda fixa porque o ambiente de liquidez enxuta provocou uma alta exagerada dos preços na última sexta-feira, considerando o momento em que o ciclo de política monetária se encontra. Na ocasião, as taxas chegaram a saltar 20 pontos-base.

"Estamos em período de férias, o que reduz a liquidez, mas vemos que o posicionamento medido pelo número de abertura de contratos é pequeno. Neste momento específico, o mercado de juros não está atraindo muito os investidores", afirmou Okuyama, destacando que a abertura nos Treasuries foi significativa na segunda e nesta terça. "E vemos resiliência no mercado local porque o estresse na sexta-feira, com ambiente de liquidez menor, levou os preços a níveis exagerados", disse.

No exterior, com escassez de dados econômicos, os investidores seguiram monitorando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, que voltou a pressionar o petróleo e reacender temores inflacionários.

O co-head do Research global de commodities do Goldman Sachs, Daan Struyven, afirma que riscos renovados de escalada do confronto implicam assimetria de alta na previsão para os preços do petróleo no quarto trimestre deste ano. Atualmente, a projeção do banco para o barril do Brent e do WTI está ao redor de US$ 75 a US$ 80 para o período. "O Brent pode subir acima de US$ 120 por barril no quarto trimestre de 2026 se o fluxo no Estreito de Ormuz permanecer interrompido", alertou Struyven.

Do lado da oferta, o Tesouro Nacional voltou a oferecer lotes mínimos de títulos atrelados à inflação, o que também ajudou o mercado de DIs a driblar a pressão trazida pelo cenário externo. O órgão vendeu o lote total de 150 mil Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) ofertado, igualmente distribuído entre papéis para 2031, 2037 e 2060.

"Mesmo em prefixados, as emissões foram bem pequenas na média e não têm adicionado tanto risco no mercado", observou Okuyama.