Cotada para vice de Flávio, Daniella Marques rebate estereótipos sobre mulheres de direita
A ex-presidente da Caixa Daniella Marques, uma das cotadas a ocupar a vaga de vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL), criticou nessa segunda-feira, 20, o que classificou como uma tentativa do PT de associar mulheres conservadoras à submissão e afirmou que as propostas em elaboração pela equipe de Flávio têm como objetivo ampliar a autonomia econômica feminina.
Durante uma transmissão ao vivo no canal do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal também negou que a pré-campanha estude distribuir celulares gratuitamente em larga escala.
Ao comentar a relação entre a direita e o eleitorado feminino, Daniella afirmou que mulheres conservadoras são alvo de estereótipos políticos e atribuiu essa narrativa ao PT.
"O PT rotula a direita como se a mulher de direita fosse submissa. Não, não é. Somos iguais. Está na Bíblia: homens e mulheres são seres iguais perante a Deus e complementares em suas vocações", afirmou.
Segundo ela, a pré-campanha trabalha na elaboração de um conjunto de medidas voltadas ao público feminino, reunindo iniciativas nas áreas de segurança pública, acesso ao crédito, saúde da mulher e cuidados com idosos. A ideia, disse, é concentrar esses serviços em uma única plataforma para simplificar o acesso da população.
Durante a transmissão, Daniella também relacionou a dependência financeira à permanência de mulheres em situações de violência doméstica. Na avaliação dela, ampliar o acesso ao mercado de trabalho e ao crédito pode contribuir para reduzir esse cenário.
A ex-presidente da Caixa também comentou a repercussão de uma proposta apresentada por Flávio Bolsonaro ao lado dela em live na última sexta-feira para ampliar o acesso à conectividade. O senador afirmou que sua equipe estuda formas de expandir o acesso à internet e a serviços digitais para pessoas de baixa renda, mencionando um universo de até 70 milhões de mulheres.
Daniella disse que a iniciativa foi interpretada de forma equivocada e negou que o projeto envolva a distribuição gratuita de celulares para toda essa parcela da população.
"Ah, o Flávio vai dar celular de graça para 70 milhões de mulheres... Não foi isso que ele falou", disse.
Segundo ela, as discussões envolvem alternativas para ampliar o acesso a plataformas digitais, como o gov.br, incluindo a oferta de bônus de dados. O fornecimento de aparelhos, acrescentou, seria restrito a casos específicos e dependeria da viabilidade financeira da medida.
O nome de Daniella é um dos nomes considerados para compor como vice a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Filiada ao Republicanos neste ano, ela passou a integrar a equipe responsável pela formulação de propostas econômicas e de políticas públicas voltadas às mulheres.
Na transmissão, Eduardo Bolsonaro também criticou o PT. Segundo o ex-deputado, o partido utiliza programas sociais como estratégia eleitoral ao afirmar que adversários retirariam benefícios como o Bolsa Família. Ele ainda defendeu investimentos em inteligência artificial e disse que o Brasil precisa aproveitar o avanço da tecnologia para ampliar sua competitividade.
Na última quinta-feira, 16, Daniella voltou a aparecer ao lado de Flávio Bolsonaro durante o lançamento do pacote Brasil Por Elas, que reúne propostas voltadas ao público feminino. Na ocasião, o senador afirmou que pretende escolher uma mulher para compor sua chapa e citou, além de Daniella, as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) entre os nomes considerados.
Daniella presidiu a Caixa Econômica Federal durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Atualmente, é cofundadora do Grupo Pra Elas, plataforma voltada à capacitação e à promoção da autonomia financeira feminina.