Eleições devem ditar o rumo dos mercados no segundo semestre, avalia ASA

Gestora afirma que cenário político deve superar fatores externos na formação dos preços dos ativos no segundo semestre e mantém projeção de 300 mil pontos para a Bolsa.

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Rogério Freitas, head de investimentos da ASA Investments. (Foto: Divulgação)

As eleições presidenciais devem assumir o protagonismo na formação dos preços dos ativos brasileiros no segundo semestre, reduzindo a influência do cenário internacional sobre os mercados. A avaliação é da ASA Investments, que, apesar do aumento das incertezas políticas, manteve a projeção de que o Ibovespa pode alcançar os 300 mil pontos no médio prazo.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Rogério Freitas, head de investimentos da gestora, afirmou que a expectativa depende principalmente do resultado das eleições e do compromisso do próximo governo com a responsabilidade fiscal.

"O cenário de 300.000 pontos ainda continua atual, mas não é da noite para o dia. É uma projeção condicionada à eleição de um candidato fiscalmente responsável e depende também do ambiente global ao longo de 2027 – é algo que ocorreria ao longo de 12 a 18 meses, depois da eleição", afirmou.

Segundo o executivo, os primeiros meses do ano foram marcados por fatores externos, como a entrada de capital estrangeiro em mercados emergentes e a rotação de investimentos para fora dos Estados Unidos. No entanto, à medida que a disputa eleitoral se aproxima, os fatores domésticos tendem a ganhar maior peso nas decisões dos investidores.

Freitas avalia que um ambiente de maior disciplina fiscal pode favorecer ativos ligados ao mercado interno, como small caps e estatais, além de ampliar o espaço para estratégias de gestão ativa. Por outro lado, um cenário de menor compromisso com o equilíbrio das contas públicas tende a pressionar os ativos de risco.

"Se, por outro lado, ocorrer a eleição de um candidato fiscalmente menos responsável, podemos ter os ativos de risco performando mal. Acredito que o dólar [será a melhor opção] em detrimento dos demais", disse.

Apesar de traçar cenários distintos, a ASA considera que a disputa presidencial segue aberta. Para a gestora, a decisão deve permanecer indefinida até as últimas semanas da campanha, o que recomenda uma postura mais cautelosa na alocação de recursos.

"No Brasil, três meses são uma vida. Pode acontecer de tudo", afirmou Freitas. Enquanto o cenário eleitoral não ganha maior definição, a recomendação da casa é manter uma carteira diversificada, combinando investimentos passivos, especialmente em Ibovespa, com estratégias de gestão ativa.