Por que o comprador brasileiro de jatos prefere aviões maiores, mais longos e com “cara de dono”

Apresentado pela Dassault Aviation no Catarina Aviation Show, o Falcon 6X revela como o mercado brasileiro da aviação executiva se diferencia dos Estados Unidos e da Europa.

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Ir de São Paulo a Paris sem precisar abastecer, cruzar o Atlântico a quase 90% da velocidade do som e caminhar em pé por uma cabine de quase dois metros de altura. Essas são algumas das credenciais do Falcon 6X, novo jato executivo da Dassault Aviation apresentado durante o Catarina Aviation Show, realizado no São Paulo Catarina Aeroporto Executivo.

Com valor médio na faixa de US$ 60 milhões, o modelo representa a aposta da fabricante francesa em um segmento cada vez mais competitivo da aviação executiva de ultra longo alcance. O prazo de entrega atualmente gira em torno de dois anos.

Descrito pela Dassault como a “evolução definitiva” da família Falcon, o 6X carrega parte do DNA tecnológico do Dassault Rafale, principal caça militar da companhia. A aeronave é montada na França, enquanto o acabamento interno e a finalização da linha de produção acontecem nos Estados Unidos.

Um dos principais diferenciais está justamente na cabine widebody, considerada a maior da categoria entre os jatos executivos. São 1,98 metro de altura, 2,58 metros de largura e espaço para até 16 passageiros distribuídos em três ambientes independentes, incluindo uma suíte privativa para voos noturnos.

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Além do espaço interno, o Falcon 6X aposta em conforto acústico extremo. Segundo a fabricante, os níveis de ruído ficam abaixo de 50 decibéis, enquanto o sistema de pressurização mantém a cabine equivalente a uma altitude de apenas 1.189 metros mesmo durante o voo de cruzeiro, reduzindo o desgaste físico dos passageiros em viagens longas.

Outro destaque está na iluminação natural. O modelo possui 30 janelas extragrandes e uma claraboia na área da cozinha de bordo, elemento inédito na aviação executiva. O interior também conta com filtros HEPA de padrão hospitalar, conectividade Ka-Band de alta velocidade e controles digitais de iluminação, temperatura e persianas.

No desempenho, o Falcon 6X alcança até 10.186 quilômetros de autonomia e conecta rotas como São PauloLondres, Los AngelesGenebra e PequimSão Francisco sem escalas. A velocidade máxima chega a Mach 0.90.

O modelo também foi desenvolvido para operar em aeroportos de acesso mais complexo, graças à capacidade de pousar em pistas curtas e realizar aproximações mais íngremes que o padrão da categoria.

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Segundo Rodrigo Pessoa, vice-presidente de vendas da Dassault para a América Latina, o perfil brasileiro da aviação executiva ainda difere de mercados como Estados Unidos e Europa.

“No Brasil, em geral, os operadores usam tanto para lazer como para trabalho. Mais para trabalho do que para lazer. Mas os compradores são em maioria pessoas físicas; realmente é o dono da empresa que utiliza”, afirmou em entrevista à Forbes.

Atualmente, existem cerca de 30 unidades do Falcon 6X no mundo, nenhuma delas pertencente a brasileiros até o momento. As primeiras entregas no país estão previstas para o início de 2027, após a conclusão final do processo de certificação da aeronave.

Além da aviação executiva, a Dassault Aviation mantém forte atuação militar. Mais de 60% da receita da companhia vem de aeronaves de defesa, lideradas pelo Rafale. Em 2025, a empresa registrou receita de € 7,42 bilhões e lucro líquido de € 977 milhões.

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