Embraer corta pela metade o tempo de fabricação de jatos e mira receita acima de US$ 10 bilhões

Com backlog recorde de US$ 32,1 bilhões, fabricante brasileira aposta em ganhos de eficiência para sustentar crescimento até o fim da década.

Francisco Gomes Neto 2021-1Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer. (Foto: Divulgação)

A Embraer reduziu em até 50% o tempo de fabricação de alguns modelos de jatos executivos desde 2021 e pretende transformar esse ganho de eficiência em uma alavanca para ultrapassar a marca de US$ 10 bilhões em receita anual antes de 2030.

"Queremos ser o fabricante OEM mais eficiente do mundo", afirmou Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, durante evento realizado em São José dos Campos. De acordo com o InvestNews, o executivo destacou que a companhia pretende seguir investindo em inovação para sustentar o crescimento nos próximos anos. "E seguir inovando para trazer produtos que nos permitam continuar crescendo", acrescentou.

A empresa encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos de US$ 32,1 bilhões, o sexto recorde consecutivo e 22% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. O valor equivale a quatro ou cinco anos de produção. Incluindo opções e direitos de compra, o montante chega a US$ 52 bilhões.

Os avanços operacionais são resultado da adoção da metodologia VSEM (Value Stream Mapping), utilizada para revisar cada etapa do processo produtivo e eliminar atividades que não agregam valor. Desde 2021, o tempo de fabricação dos jatos executivos caiu 45%. No modelo Praetor, a redução foi ainda mais expressiva, passando de 17 meses para 8,5 meses. Na divisão de defesa, o ganho chegou a 34%, enquanto a aviação comercial registrou melhora de 28%.

Segundo a companhia, o aumento da eficiência permite ampliar a produção utilizando a mesma infraestrutura, reduzindo a necessidade de expansão proporcional da estrutura física. A empresa também trabalha para distribuir de forma mais equilibrada as entregas ao longo do ano, hoje concentradas no quarto trimestre.

Para 2026, a Embraer projeta receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, acima dos US$ 7,6 bilhões registrados em 2025, o maior faturamento da história da fabricante. A margem EBIT esperada varia entre 8,7% e 9,3%, enquanto o fluxo de caixa livre deve superar US$ 200 milhões.

"Adicionamos mais de US$ 1 bilhão em receita a cada ano nos últimos quatro anos", afirmou Felipe Santana, CFO da companhia. "E isso se traduziu em mais de US$ 100 milhões por ano de crescimento no EBIT."

Segundo o executivo, a Embraer encerrou 2025 em posição de caixa líquido pela primeira vez em 12 anos, ampliou o prazo médio de vencimento de suas dívidas e reduziu a alavancagem líquida a zero.

O objetivo mais ambicioso da fabricante é superar a marca de US$ 10 bilhões em receita anual antes de 2030, impulsionada pelo portfólio atual e por novos produtos, incluindo o eVTOL desenvolvido pela subsidiária Eve, cuja entrada em operação está prevista para até o final de 2028. "A Embraer está mais forte do que nunca e pronta para um próximo patamar", disse Gomes.